Produtores de laranja ‘fogem’ de greening em SP e migram para MG

laranja

Na região do Campo das Vertentes, entre a Zona da Mata e o Sul de Minas, a Citrícola Lucato acabou de adquirir 300 hectares para ampliar a produção de laranjas, tangerinas e mexericas. A empresa cultiva atualmente 900 hectares nos municípios mineiros de Piedade do Rio Grande e Madre Deus de Minas.

“Começamos com a produção em São Paulo, mas com o avanço do greening ao longo dos anos foi necessário buscar uma nova região para a produção de citros”, afirma Carlos Lucato, sócio-proprietário da Citrícola Lucato.

A região do Campo das Vertentes era tradicionalmente conhecida pela produção leiteira. Mas, a partir dos anos 2010, produtores de citros começaram a migrar de São Paulo para lá, em busca de terras com clima mais ameno e livres do greening, doença que afeta a produtividade dos pomares de laranja no mundo todo. A região dista cerca de 700 quilômetros do Triângulo e Noroeste Mineiro, onde a produção citrícola é mais antiga e sofre perdas de produtividade por causa do greening.

De acordo com a Associação Brasileira de Citros de Mesa (ABCM), a região tem em torno de 4 mil hectares de área plantada com citros atualmente, e com tendência de expansão. O último levantamento de produção agrícola municipal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2022, apontava uma área plantada de citros de 1,5 mil hectares na região de Campo das Vertentes.

“A região tem mostrado um grande potencial de desenvolvimento, evidenciado pelo aumento de área plantada, que passou de 82 hectares em 2012 para 1,514 mil em 2022”, afirma a pesquisadora da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), Ester Ferreira. As cidades onde mais avança o plantio de citros em Minas são Madre de Deus, Piedade das Gerais, Minduri, Andrelândia, São Vicente de Minas e Cruzília.

A região montanhosa do Campo das Vertentes foi escolhida por Lucato por ter clima mais ameno que a de Limeira (SP), onde a família tinha produção de citros, e também pela ausência do greening. “Com o clima mais frio, as frutas ganham uma coloração mais alaranjada, mais apreciada no caso da laranja de mesa”, avalia Lucato.

A localidade também registra menos horas de sol por dia em comparação com Limeira. Com isso, os frutos ficam prontos para colheita em setembro e outubro, fora do auge da colheita em São Paulo, que é julho. “Assim, conseguimos preços mais atrativos”, acrescenta o produtor.

A Citrícola Lucato produziu no ano passado 870 mil caixas de 40,8 quilos (35,5 mil toneladas) e prevê atingir neste ano 980 mil caixas (40 mil toneladas). A empresa também mantém pomares nas cidades paulistas de Santa Salete e Fernando Prestes. Segundo Lucato, a produtividade é mais baixa em relação aos pomares plantados em Minas Gerais por causa do clima mais quente.

A menor concentração de pomares e o clima atraíram outra empresa paulista à região. A Simonetti Citrus, de Aguaí (SP), cultiva em Minduri (MG), 1,6 mil hectares de pomares, dos quais 1,2 mil hectares são de laranja de mesa. A área restante é cultivada com tangerinas e abacates. Em Aguaí, a empresa mantém 600 hectares de citros. “A região em Minas tem menos plantação de citros, o que dificulta o alastramento do greening, além de ter um clima mais ameno, devido à altitude, entre 950 e 1,150 mil metros”, diz o presidente da Simonetti Citrus, Antonio Carlos Simonetti.

Simonetti observa que a região dispensa a necessidade de irrigação, por registrar média de chuvas de 1.500 milímetros por ano. Segundo ele, a produtividade dos pomares de laranja em Minduri foi de 60 toneladas por hectare, em média, contra 45 toneladas por hectare em Aguaí.

“São Paulo sofreu mais com altas temperaturas na época da florada e seca prolongada”, acrescenta. Para este ano, ele estima uma produção similar à de 2023, de aproximadamente 900 mil caixas de 40,8 quilos.

O Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) estima para a safra do cinturão citrícola de São Paulo e das regiões do Triângulo e Sudoeste Mineiro produção de 307,22 milhões de caixas de 40,8 quilos, com redução de 0,7% em relação à projeção inicial feita em maio de 2023.

A safra está 95% finalizada. De acordo com o Fundecitrus, as variedades de meia-estação e tardias têm queda na produção de 4,39 milhões de caixas, como reflexo do clima desfavorável e da incidência do greening.

De acordo com levantamento do IBGE de janeiro, em 2024, a área plantada de laranja no país atingiu 580,1 mil hectares, com redução de 0,9% em relação a 2023. A produção chegou a 15,3 milhões de toneladas, uma queda de 1% em relação a 2023.

Em São Paulo, maior Estado produtor, a colheita ficou estável em 11,4 milhões de toneladas. A área plantada também se manteve, em 361,8 mil hectares. Em Minas Gerais, houve redução de 1,7% na área, para 39,4 mil hectares. A produção caiu 5,9%, para 1,06 milhão de toneladas.

Fonte: Site Globo Rural | Data da publicação: 19/02/2024

Deixe uma resposta