Produtor rural precisa aprender a operar em ambiente de volatilidade

O grande desafio que o produtor rural deve enfrentar na atualidade é aprender a operar em um ambiente de alta volatilidade, decorrente das incertezas que os conflitos armados vêm provocando na economia mundial.

A guerra entre Rússia e Ucrânia, que já completou quatro anos, e o recente ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, cujos revides vêm causando prejuízos e intranquilidade em boa parte do Oriente Médio, compõem o cenário que exige atenção.

Para defender-se, o produtor deve investir em gestão de risco, proteção de preços e eficiência operacional.

Foi essa, em resumo, a mensagem que Alexandre Mendonça de Barros, um dos mais respeitados e influentes analistas do agronegócio brasileiro, transmitiu em palestra proferida no estande da Credicitrus, durante a Agrishow 2026, em Ribeirão Preto (SP).

Cenários prováveis

Abordando o tema “Cenários para o agronegócio brasileiro em 2026”, ele ressaltou:

  1. As margens devem ser mais apertadas no curto prazo, em razão dos custos que continuam pressionados para cima (juros, frete e insumos, particularmente fertilizantes), não acompanhados, na mesma proporção, pela evolução dos preços.
  2.  O “novo normal” é a volatilidade, com forte oscilação de preços e custos afetados por fatores como câmbio, geopolítica, clima e energia.
  3. Os conflitos armados têm provocado impactos negativos no campo, pressionando os custos de fertilizantes, petróleo e as cadeias de alimentos.  Com custos mais altos, o uso de insumos pode cair, causando, a médio prazo, uma queda de produtividade nos próximos dois anos.
  4. Crédito restrito é um gargalo. Em numerosos setores, a falta de financiamento pode levar à redução na compra de insumos (com os efeitos citados no item anterior), na capacidade de estocagem e no poder de negociação dos produtores. Isso ainda pode conduzir à venda antecipada, resultando em preços internos “descolados” do mercado internacional.
  5. A curto, médio e longo prazos, os biocombustíveis representam um vetor positivo nesse cenário. A expansão da produção de etanol e biodiesel pode produzir aumento na demanda por grãos, sustentando os preços e gerando um novo ciclo de crescimento principalmente das produções de milho e soja.
  6. Por fim, o Brasil mantém vantagem estrutural, caracterizada pela alta capacidade de resposta: se os preços sobem, a produção cresce rapidamente. Isso significa que a elasticidade da oferta é maior no país do que em outras nações.

Otimismo quanto ao futuro

A conclusão de Mendonça de Barros foi a de que,embora não seja possível cravar previsões precisas, pois o cenário pode mudar rapidamente no mundo, tanto para melhor quanto para pior, o Brasil deve manter-se como protagonista global na produção de alimentos, com a tendência de fortalecer essa posição nos próximos anos.

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