Fundecitrus lança nova campanha para controle do greening

O Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) lançou no dia 17 de fevereiro uma nova campanha visando a atenuar a incidência do greening, também conhecido como Huanglongbing (HLB), nos pomares citrícolas de São Paulo e de Minas Gerais (Triângulo e Sudoeste).

O lema é: “Para a incidência ser zero, o controle precisa ser dez”. A campanha ressalta a necessidade de um controle rigoroso do psilídeo Diaphorina citri, vetor da doença, especialmente em novas regiões de avanço da citricultura, como nos estados de Mato Grosso do Sul, Goiás e outras regiões mineiras. 

Expansão requer cuidado

Diante da alta incidência do greening em algumas regiões do cinturão, a ampliação dos pomares para novas áreas livres ou com baixos níveis da doença tem sido uma medida adotada por alguns citricultores. Entretanto, é importante que os profissionais reforcem as medidas de controle tanto para o greening quanto para outras doenças da citricultura.

Juliano Ayres, diretor-executivo do Fundecitrus, ressalta que o aumento de pomares comerciais nessas novas regiões é fator preponderante para a dispersão natural do psilídeo, o que agrava a disseminação da doença. 

Levantamentos recentes realizados pela Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro/MS) e pela Agrodefesa (GO), por meio de busca ativa em propriedades com a presença de citros, já registram a presença da bactéria do greening em mais de 30 municípios do Mato Grosso do Sul, assim como em dois municípios de Goiás: Campo Limpo de Goiás e Quirinópolis.

“Essas ocorrências da doença reforçam a necessidade de atenção e cuidado redobrado por parte do citricultor”, acentua Juliano Ayres, finalizando: “Por esse motivo, colocar em prática o manejo já conhecido é tarefa constante para as novas áreas”.

Medidas de controle

As medidas de controle do greening preconizadas pelo Fundecitrus são abrangentes e organizadas em “10 mandamentos”, que orientam os citricultores sobre as melhores práticas de manejo:
1. Planejamento do plantio – Escolher locais adequados para o plantio, evitando áreas com alta incidência da doença e evitando plantios recortados que aumentem a área de borda, mais suscetível a infestações.

2. Uso de mudas sadias – As mudas devem ser adquiridas de viveiros certificados e protegidos, garantindo que sejam livres de doenças.

3. Aceleração do crescimento – Promover o crescimento rápido das plantas para reduzir o período em que estão suscetíveis ao greening, especialmente nos primeiros quatro anos após o plantio.

4. Inspeção frequente – Realizar inspeções regulares nas plantas, com um mínimo de seis avaliações anuais, focando especialmente nos períodos em que os sintomas são mais visíveis.

5. Erradicação de plantas doentes – Eliminar imediatamente todas as plantas com sintomas da doença, independentemente da idade ou gravidade dos sintomas.

6. Monitoramento do psilídeo – Utilizar armadilhas adesivas amarelas para identificar a presença do psilídeo Diaphorina citri e determinar os melhores momentos para aplicação de inseticidas.

7. Controle do psilídeo – Aplicar inseticidas sistêmicos conforme necessário, respeitando os intervalos recomendados entre as aplicações (geralmente a cada 7 a 10 dias).

8. Cuidado com a faixa de borda – Intensificar o manejo na faixa de borda dos pomares, onde a infestação é mais comum. Isso inclui um plantio mais denso e aplicações frequentes de inseticidas.

9. Manejo regional – Participar de programas regionais de controle, onde os produtores trabalham em conjunto para minimizar a migração do psilídeo entre propriedades.

10. Ações conjuntas com vizinhos – Colaborar com propriedades vizinhas para eliminar plantas doentes e aplicar inseticidas nas áreas adjacentes onde o psilídeo possa estar presente.

Estratégias adicionais
Além dos “10 mandamentos”, o Fundecitrus enfatiza a importância do monitoramento contínuo e da erradicação das fontes de inóculo externas. Nesse sentido, recomenda realizar ações em um raio de até 5 km ao redor da propriedade para eliminar plantas contaminadas em quintais e pomares vizinhos.

A finalidade dessas estratégias é não apenas controlar a doença dentro dos pomares, mas prevenir novos surtos e garantir a longevidade produtiva das plantações citrícolas.

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