Controle preventivo de plantas daninhas é essencial na cultura da soja

Controle preventivo de plantas daninhas é essencial na cultura da soja

O controle preventivo de plantas daninhas na cultura da soja é a primeira e mais importante linha de defesa do manejo integrado (MIPD). O objetivo principal é evitar que sementes e propágulos de invasoras entrem na área, reduzam o estande inicial e compitam por luz, água e nutrientes na fase crítica da cultura.

Essa medida, além disso, reduz drasticamente a dependência exclusiva de herbicidas pós-emergentes, diminuindo os custos de produção e mitigando o risco de seleção de plantas daninhas resistentes nas lavouras.

Práticas recomendadas

Cinco medidas são consideradas básicas, de acordo com as instruções técnicas da Embrapa Soja, sediada em Londrina (PR), reconhecida como principal instituição de pesquisa do país dedicada ao estudo da cultura:

  • limpeza de máquinas e implementos;
  • uso de sementes certificadas;
  • manejo de margens e taludes;
  • controle de adubos orgânicos;
  • rotação de culturas.

Essas medidas são brevemente detalhadas a seguir.

A limpeza de máquinas e implementos deve ser rigorosa, pois as sementes de plantas daninhas (como buva, capim-amargoso e caruru) são facilmente transportadas de uma área infestada para uma limpa por colheitadeiras, tratores e grades. Para isso, a recomendação é lavar e desinfetar com jatos de pressão todas as máquinas antes de transitar entre talhões ou propriedades.

O uso de sementes certificadas e livres de invasoras é mais lucrativo porque normalmente possuem alto vigor, germinação regular e garantia de pureza tanto varietal quanto física. É necessário cuidado nesse sentido, pois a utilização de sementes salvas de baixa qualidade é um dos principais vetores de introdução de novas espécies ou biótipos resistentes de plantas daninhas no plantio.

Outra providência protetiva importante é o controle das áreas ao redor da lavoura (estradas internas, carreadores, cercas e taludes), que funcionam como berçários para a multiplicação de plantas daninhas que depois invadem a lavoura. Nessas áreas, devem ser realizadas roçadas frequentes ou aplicações de herbicidas de contato nas bordas para impedir que as invasoras floresçam e produzam novas sementes.

O controle de adubos orgânicos e esterco também requer atenção. No caso de utilização desse tipo de fertilizante, é preciso certificar-se de que passaram por processos de fermentação adequados. Sementes de muitas plantas daninhas sobrevivem no trato digestivo de animais e mantêm seu poder germinativo.

Por fim, manter o solo ocupado por plantas de cobertura (como braquiária, crotalária ou milheto) na entressafra é uma boa forma de rotação com a cultura da soja, pois suprime a germinação de invasoras tanto por efeito físico (sombra) quanto por ação alelopática (liberação de substâncias inibidoras).

Espécies mais comuns no Sudeste

Nas regiões produtoras de soja do Sudeste, em especial na área de atuação da Credicitrus, ocorrem numerosas plantas daninhas que merecem mais atenção devido a problemas históricos de resistência a herbicidas. Gramíneas e espécies e folhas largas são as que merecem maior cuidado preventivo.

Em São Paulo, a cultura está presente principalmente nas regiões de Ribeirão Preto, Alta Mogiana, Ourinhos, Presidente Prudente e Centro-Norte. Em Minas Gerais, destacam-se o Sudoeste Mineiro e o Triângulo Mineiro, com as principais lavouras instadas em Uberaba, Uberlândia, Patos de Minas, Ituiutaba e região de Alfenas/Passos.

Gramíneas

As gramíneas ou capins de difícil controle são os seguintes:

Capim-amargoso (Digitaria insularis) – representa uma das maiores dores de cabeça para os agricultores. É perene e produz sementes leves (pilosas), que são espalhadas pelo vento e pelas máquinas agrícolas. Possui rizomas subterrâneos grossos e muitas populações já apresentam alta resistência ao herbicida glifosato. Entrar com maquinário limpo na área evita o transporte de touceiras e sementes.

Capim-pé-de-galinha (Eleusine indica) – é muito comum em solos compactados e áreas de cultivo intensivo. Apresenta biótipos resistentes ao glifosato e a herbicidas inibidores da ACCase (graminicidas). Como os herbicidas comuns já não funcionam bem contra esses biótipos resistentes, a única forma de não infestar uma área limpa é preventiva, barrando a entrada de suas sementes. Os maiores riscos estão no uso de sementes de soja guardadas (salvas) que estejam misturadas com sementes desse capim e a entrada de colheitadeiras de outras fazendas com sementes grudadas.

Capim-braquiária (Brachiaria decumbens / Urochloa spp.) – é frequente em áreas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) ou em lavouras que margeiam pastagens. A braquiária, que também pode ser usada como planta de cobertura na entressafra, requer atenção, pois escapa facilmente e compete de forma agressiva com a soja no início do ciclo.

Folhas largas

Nesta categoria, as mais agressivas são:

Buva (Conyza spp. – C. bonariensis, C. canadensis, C. sumatrensis) – predomina em sistemas de plantio direto, germinando intensamente durante o outono/inverno na entressafra. Uma única planta produz milhares de sementes, que são transportadas pelo vento a longas distâncias. O controle preventivo nas margens de talhões, carreadores e na entressafra (pousio limpo) é obrigatório para evitar a dispersão e a seleção de biótipos resistentes ao uso de glifosato e reguladores de crescimento.

Caruru (Amaranthus hybridus, Amaranthus viridis, Amaranthus palmeri) – as espécies do gênero Amaranthus destacam-se pelo crescimento extremamente rápido e pela altíssima produção de sementes. O caruru tem histórico de resistência múltipla em várias regiões agrícolas do Sudeste. Evitar a introdução de sementes por meio de grãos ou máquinas sujas é uma barreira de segurança indispensável.

Leiteira ou amendoim-bravo (Euphorbia heterophylla) – espécie muito adaptada ao regime de variação de temperatura e chuvas do Sudeste, possui ciclo rápido e há casos documentados de resistência a herbicidas inibidores da ALS.

Corda-de-viola (Ipomoea spp.) – são trepadeiras com sementes que apresentam dormência prolongada no solo e dificultam a colheita mecanizada da soja ao se embaraçarem na plataforma das colheitadeiras. Além disso, competem fortemente com a soja por luz.

Outras espécies

Ainda merecem atenção na região Sudeste duas outras espécies:

Trapoeraba (Commelina benghalensis) – é uma planta perene de folhas carnosas, que se propaga tanto por sementes aéreas e subterrâneas quanto por pedaços de caule. Tolera diversos herbicidas e prefere solos férteis e úmidos, comuns nas áreas de alta tecnologia de São Paulo e Minas.

Guanxuma (Sida spp.) – é um arbusto de raiz pivotante profunda, tolerante a períodos de veranico e com boa capacidade de sobrevivência em sistemas conservacionistas.

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