Sistema ILPF continua avançando no Brasil

A Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) é uma estratégia de produção agropecuária sustentável que já está consolidada no Brasil, com mais de 15 milhões de hectares em uso.

O país é hoje referência mundial nessa técnica, que continua sendo aprimorada por vários pecuaristas e instituições como a Embrapa, o Instituto de Zootecnia da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, a Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ/USP) e o Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Viçosa (UFV), entre outras.

A adoção da ILPF não é apenas uma questão de rentabilidade. Também proporciona benefícios ambientais e, consequentemente, contribui para fortalecer a imagem do Brasil no mercado internacional, cada vez mais exigente no que se refere à preservação e recuperação dos recursos naturais.

Nesse sentido, o sistema ILPF proporciona a conservação do solo, com redução da erosão e aumento do teor de matéria orgânica, a melhoria da qualidade da água, devido à menor necessidade de uso de fertilizantes e defensivos, e, consequentemente, o aumento da biodiversidade.

Meio século de evolução

A associação de culturas com criações não é uma ideia nova. No século XVI, os colonizadores portugueses integravam o cultivo de árvores frutíferas com a produção pecuária. Porém, a intensificação da exploração rural, com a crescente mecanização das lavouras, tornou essa prática menos frequente.

Há cerca de meio século, na década de 1970, esse método foi “resgatado” por alguns pioneiros em plantio direto da região Sul do país, que iniciaram experimentos de integração de lavouras com pastagens, e observaram que esse procedimento proporcionava ganhos de produtividade em suas propriedades.

Na década seguinte, a Embrapa implantou as primeiras áreas de pesquisa de sistemas integrados de produção, dentre os quais a ILPF, que logo foi adotada por alguns produtores rurais, ainda em caráter experimental.

Nos anos 1990, a ILPF se disseminou, chegando ao Cerrado e à Amazônia. Ao mesmo tempo, instituições de ensino e pesquisa intensificaram suas atividades visando ao desenvolvimento da técnica, que adquiriu maturidade no século XXI, por meio de várias iniciativas de apoio à pesquisa e de estímulo à adoção do sistema pelos produtores.

Em 2010, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) criou o Plano ABC (recentemente atualizado pelo Plano ABC+, válido até 2030), voltado para o financiamento de práticas de produção sustentável. Em 2012, foi instituída a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica. Nesse mesmo ano, foi criada a Rede ILPF, que reúne a Embrapa e várias organizações privadas, com o objetivo de disseminar a técnica por meio de cursos e outros eventos, bem como apoiar pesquisas.

Benefícios

O Sistema ILPF proporciona vários benefícios, de acordo com as instituições de pesquisa envolvidas no seu desenvolvimento. Os principais são os seguintes:

Aumento da produtividade da pecuária: observa-se um ganho de peso médio dos animais de até 20% e a redução do tempo de engorda até o abate de até 10%.

Melhoria da qualidade da carne: tem sido obtida, em áreas de ILPF, carne com maior teor de proteína e menor teor de gordura, sendo, assim, mais macia e saborosa e, portanto, com maior potencial de aceitação e procura no mercado.

Redução dos custos de produção: decorrente de vários fatores, como menor necessidade de uso de fertilizantes e defensivos agrícolas e melhor aproveitamento da água e do solo.

Preservação do meio ambiente: como resultado da redução da emissão de gases de efeito estufa, da conservação da biodiversidade e da melhoria da qualidade da água.

Processo gradativo

Uma questão que tem preocupado os produtores rurais é o tempo médio necessário para que o sistema ILPF se torne rentável, e que varia muito, dependendo de diversos fatores. De acordo com estudos da Embrapa e de outras instituições, o tempo médio para o sistema se tornar rentável pode variar de três a dez anos. No entanto, há casos em que a rentabilidade pode ser alcançada em um período menor, de apenas dois anos, ou em um período bem maior, de até 15 anos.

A recomendação dos técnicos que atuam na área é que o sistema seja implantado de forma gradativa, para que o investimento necessário seja diluído ao longo do tempo. Vale destacar que três fatores são vitais para a obtenção de rentabilidade e redução do tempo necessário para que o investimento tenha retorno: tipo de ILPF, escala de produção e manejo adotado.

Tipo de ILPF – Essa sigla abrange diversos sistemas, como silvipastoril (floresta + pastagem), agrossilvipastoril (floresta + lavoura anual + pastagem) e lavoura-pecuária. Cada sistema tem suas peculiaridades, que podem ter impacto nos resultados. A escolha de espécies com alto valor comercial – como madeiras nobres, culturas de alto valor agregado e animais de qualidade genética superior – contribui para uma rentabilidade maior, porém requer investimentos iniciais mais elevados.

Escala – O tamanho da operação também tem influência na rentabilidade. Operações maiores geralmente têm custos fixos mais baixos e podem alcançar economias de escala.

Manejo – O manejo adequado é fundamental para o sucesso do sistema ILPF. Isso inclui a escolha das espécies adequadas, o manejo adequado do solo e das pastagens, o controle de pragas e doenças e a gestão da fertilidade do solo.

Além desses fatores, o preço dos produtos comercializados (carne, leite, madeira, grãos etc.) também influencia na rentabilidade.

Mais informações

Informações adicionais sobre o sistema ILPF e suas características podem ser obtidas no Portal ILPF da Embrapa e no curso a distância oferecido pela Rede ILPF.

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