Pecuária de corte ainda tem enorme potencial de melhorias
Estudo recente publicado pela Embrapa Pecuária Sudeste, baseado em levantamento de campo feito por pesquisadores de diferentes unidades da empresa junto a cerca de 1.700 propriedades rurais de todo o Brasil, demonstra que a maioria dos pecuaristas brasileiros não utiliza as melhores práticas para a condução de seus rebanhos. Com isso, os índices médios de produtividade e rentabilidade são baixos.
O trabalho, que recebeu o título de “Uso das práticas de manejo de forrageiras e de pastejo na bovinocultura de corte”, foi realizado pelos seguintes pesquisadores: Claudia De Mori, Patricia Menezes Santos, Sanzio Carvalho Lima Barrios, Urbano Gomes Pinto de Abreu e Waldomiro Barioni Junior.
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Pastagens exigem cuidado
Um dos aspectos mais significativos observados no trabalho diz respeito aos cuidados com as pastagens e aos sistemas de pastejo adotados. É importante lembrar que a pecuária brasileira tem vantagem comparativa com outros países por utilizar, como principal fonte de alimento dos rebanhos, as pastagens, que estão presentes em todos os biomas e ocupam, no território brasileiro, o dobro da área cultivada para fins agrícolas.
As pastagens são uma fonte de alimentos abundante e barata para os ruminantes, uma vez que as condições climáticas do Brasil permitem elevada produção de forragem, principalmente quando utilizadas técnicas adequadas de manejo e adubação. Mas isso nem sempre ocorre, devido à falta de conhecimento sobre suas condições fisiológicas de crescimento e composição nutricional.
Manejo racional
O manejo racional de pastagens é um conjunto de práticas que engloba medidas como calagem e adubação; formação de pastos; controle de doenças, pragas e plantas espontâneas; irrigação; e manejo de pastejo, que engloba acompanhamento e controle da taxa de lotação (número de animais por área) e acompanhamento e controle da frequência e intensidade de pastejo (pastejo rotacionado).
Essas técnicas permitem aos pecuaristas aumentar a produtividade de seus rebanhos, proporcionar longevidade às pastagens, otimizar o uso de recursos e reduzir a pressão pela abertura de novas áreas, aproveitando melhor a área da propriedade para outras atividades produtivas.
Esse conjunto de práticas, afirma o estudo da Embrapa Sudeste, pode resultar na multiplicação da produção de carne e leite por hectare por até dez vezes. Adicionalmente, aplicadas conjuntamente com técnicas de conservação do solo e da água, são essenciais para evitar a perda de fertilidade e estrutura de solo, causada por erosão e assoreamento de rios, e a escassez de água em quantidade e qualidade para plantas e animais.
Resultados da pesquisa
Os levantamentos efetuados pelos pesquisadores da Embrapa revelaram como é baixo (às vezes muito baixo) o emprego das técnicas e práticas mencionadas. Os dados a seguir representam, em percentuais, a quantidade de propriedades que utilizam cada prática mencionada.
Cuidados com o solo
- Análise: 46,7%
- Correção com calcário: 43,9%
- Adubação: 40%
Controle de pragas e doenças
- Controle de plantas daninhas: 48,4%
- Controle de pragas: 28,9%
- Controle de doenças: 9,7%
Pastejo
- Pastejo rotacionado: 63,9%
- Pastejo contínuo: 43,9%
- Acompanhamento da lotação de piquetes: 30%
- Controle de frequência e intensidade de pastejo: 28%
Sistemas de integração
- Pecuária-floresta: 4,6%
- Lavoura-pecuária: 8,9%
- Lavoura-pecuária-floresta: 2%
Outras medidas
- Pastagem consorciada com gramíneas e leguminosas: 6,6%
- Irrigação de pastos: 8,4%
