Novos nematicidas e inseticidas biológicos para cana revelam eficiência

O Programa Cana IAC, mantido pelo Instituto Agronômico (IAC), vem desenvolvendo experimentos com nematicidas e inseticidas biológicos na cultura de cana-de-açúcar, avaliando diferentes produtos, em diversos modos de aplicação e as respectivas respostas obtidas. O IAC é a instituição que mais avalia o uso de nematicidas biológicos no manejo de cana no Brasil.

Os resultados mais recentes destacam a eficiência de microrganismos de uso recente, como o fungo Cordyceps, para controle da cigarrinha-da-cana, e a microvepsa Tetrastichus, para controle da broca-da-cana.

A pesquisadora científica Leila Luci Dinardo-Miranda, que atua no Programa Cana IAC, ressalta: “Sobre os resultados dessas tecnologias mais recentes, de modo geral, as reduções populacionais de broca foram significativas. Os índices de intensidade de infestação caíram para menos da metade da área não tratada”. Atualmente, os nematicidas biológicos respondem por cerca de 80% de toda a área ocupada pela cultura da cana no Brasil, e em poucos anos superou o uso de nematicidas químicos.

Outras pragas

Além dos nematoides, outras pragas também são combatidas com eficiência com produtos biológicos. A cigarrinha-da-cana é controlada com eficiência pelo inovador fungo Cordyceps fumosorosea, testado recentemente em estudos conduzidos pelo IAC. Esse agente biológico tem contribuído para a redução da população dessa praga, que pode provocar perdas de produtividade dos canaviais de até 60%. Em paralelo, o IAC continua avaliando fungos de uso tradicional, como Metarhizium anisopliae.  

Para a broca-da-cana, o IAC estuda a ação da microvespa Tetrastichus howardi, que parasita lagartas e pupas do parasita, levando-as à morte. Apesar de adotada na cana há pouco tempo, tem revelado resultados promissores. Outras microvespas parasitoides, como Cotesia flavipes Trichogramma galloi, continuam em testes.

Composição dos produtos

De acordo com a cientista do IAC, os nematicidas biológicos são constituídos por várias espécies de Bacillus ou por fungos que parasitam nematoides. Muitos produtos são misturas de várias espécies de bacilos ou destes com fungos, resultando em diversos tipos de proteção natural contra pragas.  

Há diferentes modalidades de aplicação dos diversos produtos biológicos. O manejo depende da praga e do produto recomendado. O IAC avalia a maioria das opções em experimentos que envolvem aplicações tanto em cana-planta – a primeira originária do plantio -, como em cana-soca – fruto da rebrota após o primeiro corte.

Esses estudos são desenvolvidos em parceria com a empresa DMLab, usinas e outras organizações do segmento.

Nematoides entomopatogênicos

Para o controle biológico dobicudo-da-cana-de-açúcar (Sphenophorus levis), outra solução é o uso de nematoides entomopatogênicos, que são vermes microscópicos que vivem no solo e têm a capacidade deinfectar e matar insetos.

Essa tecnologia ressurgiu após a chegada de novas cepas importadas, hoje testadas em diferentes condições de campo pelo IAC, que tem avaliado a viabilidade da aplicação desses nematoides com a vinhaça, bem como sua efetividade no controle de pragas de solo, especialmente Sphenophorus levis.

No Brasil, o primeiro trabalho envolvendo controle biológico de pragas por esses nematoides entomopatogênicos, ainda na década de 1990, foi desenvolvido pela pesquisadora Leila Luci Dinardo-Miranda. Na ocasião, ela trabalhou com Migdolus fryanus, outra importante praga conhecida como broca-do-rizoma-da-cana.

Custo-benefício

A relação custo-benefício do controle biológico na cultura da cana varia muito em função do produto adotado. “Há produtos biológicos que são mais baratos do que os correspondentes químicos e vice-versa, e os preços variam bastante”, diz Leila.

Há também, segundo a cientista, uma grande variação de resposta: “Dependendo da praga e da situação, pode ser mais adequado usar o biológico ou o químico e – em alguns casos – pode ser indicado usá-los conjuntamente no manejo. Muitas vezes, eles se complementam”.

A pesquisadora ressalta que esses recursos biológicos podem ser usados em conjunto entre si ou ainda aliados a produtos químicos.

(fonte: IAC, jornalista Carla Gomes)

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