Mapa da cafeicultura está mudando no Brasil

O mapa da cafeicultura no Brasil mudou significativamente desde o início do século XX, passando de um domínio das regiões do Rio de Janeiro e São Paulo para a expansão para o norte do Paraná e, mais recentemente, para regiões de Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia.

Essas mudanças foram impulsionadas por fatores como superprodução, políticas de restrição ao plantio, exaustão dos solos, avanços tecnológicos e a busca por novas terras mais produtivas.​

Principais alterações

  • Inicialmente, o café era cultivado principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro, tornando-se, entre o final do século XIX e o início do século XX, o principal produto de exportação do Brasil;
  • No início do século XX, o norte do Paraná se tornou o novo centro cafeeiro, atraído pela fertilidade de suas “terras roxas” e por incentivos públicos.;
  • A partir da década de 1970, por razões climáticas e fitossanitárias (em especial a ocorrência da ferrugem), ocorreu uma nova expansão para regiões de Minas Gerais e para o Cerrado, com o avanço da mecanização e o desenvolvimento de cultivares adaptados.​

Razões

As mudanças foram motivadas pelos seguintes fatores principais:

  • Superprodução e crise no mercado internacional levaram à queda da produção em regiões tradicionais e à busca por novas áreas.;
  • Exaustão dos solos nas regiões antigas fez com que os produtores migrassem para terras mais férteis.;
  • Avanços tecnológicos permitiram a mecanização da colheita e o cultivo em regiões antes consideradas impróprias, como o Cerrado;​
  • Políticas públicas e incentivos estimularam o assentamento e o investimento em novas áreas.​

Essas transformações refletem a adaptação da cafeicultura brasileira às mudanças econômicas, sociais e ambientais, garantindo a manutenção do Brasil como um dos maiores produtores mundiais de café.​

Principais produtores na atualidade

Os principais estados produtores de café no Brasil, em volume de sacas de 60 kg, são Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Bahia, Rondônia e Paraná, nessa ordem.

Minas Gerais – A produção estimada para a safra 2025/26 é de 25,3 milhões de sacas, contra 28,1 milhões de sacas em 2024/25. A produção de 2024/25 foi 3,1% inferior à de 2023/24, devido principalmente à falta de chuvas. Em Minas Gerais, as principais regiões produtoras de café são Sul de Minas, Cerrado Mineiro, Chapada de Minas e Matas de Minas, sendo quase toda a produção voltada para o café arábica, conhecido pela alta qualidade e por características sensoriais diferenciadas.​ Grande parte dos cafés especiais brasileiros, muitos dos quais são hoje exportados, sai de Minas Gerais.

Espírito Santo – A produção estimada para 2025/26 é de 17,1 milhões de sacas, contra 9,8 milhões de sacas em 2024/25. No Espírito Santo, destaca-se o cultivo de café conilon (robusta), principalmente na região Norte Capixaba, onde as condições climáticas são favoráveis para essa variedade. Além disso, o estado também produz café arábica nas áreas montanhosas, como a Serra do Caparaó.​

São Paulo – A produção estimada para 2025/26 é de 4,7 milhões de sacas, contra 5,4 milhões de sacas em 2024/25. A principal região produtora é a Mogiana, em especial a Alta Mogiana, que engloba municípios como Franca, Patrocínio Paulista, Batatais, entre outros, e é reconhecida pela alta qualidade do café arábica produzido em altitudes elevadas.

Bahia – A produção estimada para 2025/26 é de 4,1 milhões de sacas, contra 3,1 milhões de sacas em 2024/25. Na Bahia, as principais regiões produtoras são o Planalto Baiano (incluindo Chapada Diamantina, Planalto de Vitória da Conquista e Serrana de Itiruçu/Brejões), o Oeste da Bahia e o Atlântico Baiano. O cultivo é predominantemente de café arábica, especialmente nas áreas de altitude, mas também há produção de conilon em regiões mais baixas.

Rondônia – A produção estimada para 2025/26 é de 2,3 milhões de sacas, contra 2,1 milhões de sacas em 2024/25. As principais regiões produtoras As principais regiões produtoras são as Matas de Rondônia (Zona da Mata e Vale do Guaporé), foco da indicação geográfica (IG) “Matas de Rondônia”, e o Cone Sul de Rondônia.

Paraná – A produção estimada para 2025/26 é de 712 mil sacas, contra 675 mil sacas em 2024/25. A principal região produtora é o norte do estado, com destaque para as microrregiões de Londrina, Cornélio Procópio, Jacarezinho, Wenceslau Braz, Apucarana e Pinhalão. Londrina, historicamente, já foi considerada a capital mundial do café.

Observações

Fonte dos dados – A maioria dos dados apresentados é do 3º Levantamento da Safra de Café 2025 da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado em setembro/2025.

Bienalidade – Em Minas Gerais e São Paulo, maiores produtores de café arábica, a safra 2025/26 é de bienalidade negativa (ou seja, de redução natural após uma safra alta), o que explica a queda na produção.

Conilon/Robusta – No Espírito Santo, na Bahia e em Rondônia, o café conilon apresenta perspectivas de forte crescimento na safra 2025/26, devido a fatores climáticos mais favoráveis, investimentos em novas áreas e uso de novas tecnologias, que incluem avanços na propagação assexuada, especialmente por estaquia, e o desenvolvimento de cultivares clonais melhoradas geneticamente.

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