Fruticultura é boa opção para diversificação de atividades agrícolas
As pesquisas mais recentes do Instituto Agronômico (IAC) indicam que a fruticultura é uma das mais promissoras vias de diversificação agrícola para pequenos e médios produtores rurais. Adicionalmente, apontam que as melhores oportunidades para a fruticultura paulista não estão apenas na expansão das culturas tradicionais, mas, principalmente, na combinação de novas cultivares, tecnologias de cultivo, agregação de valor e adaptação às mudanças climáticas.
Para apoiar os agricultores em suas decisões, o Centro de Frutas do IAC, sediado em Jundiaí (SP), vem ampliando investimentos e desenvolvendo projetos em parceria com produtores em diferentes polos do estado de São Paulo, especialmente nas regiões de Jundiaí, Jales e São Miguel Arcanjo.
Tendências de mercado para os próximos anos
As pesquisas e os projetos do IAC convergem para cinco grandes tendências que devem orientar a fruticultura paulista, com potencial para tornar as pequenas propriedades mais rentáveis e competitivas:
- diversificação da produção para reduzir riscos;
- adoção de cultivares mais resistentes ao calor, à seca e a doenças;
- expansão do cultivo protegido, q ue reduz riscos climáticos e aumenta a regularidade da produção, por meio da utilização de estufas, casas de vegetação, sistemas localizados de proteção como túneis baixos (em especial para morango e mudas de frutíferas), túneis altos (similares a estufas, mas com laterais abertas), telas antigranizo, coberturas plásticas e irrigação de precisão;
- maior foco em frutas de alto valor agregado e qualidade premium, que apresentem, entre outros atributos, teor mais elevado de compostos bioativos, melhor sabor, maior resistência ao transporte e maior período de conservação;
- fortalecimento da integração entre pesquisa, produtores e agroindústrias para acelerar a adoção de novas tecnologias.
Oportunidades
As principais oportunidades, de acordo com os pesquisadores da instituição, são uvas viníferas, frutas de clima subtropical e temperado, pitaya, amora e goiaba, com as respectivas explicações dadas mais adiante. Há igualmente oportunidades para frutas destinadas à industrialização. Tenderão a obter melhores resultados os agricultores que optarem pela diversificação de culturas e pela adoção de modernas tecnologias, com destaque para o cultivo protegido.
Adicionalmente, os pesquisadores do IAC chamam a atenção para a crescente demanda por frutas destinadas a processamento, para produção de polpas congeladas, sucos integrais, geleias, compotas, frutas desidratadas e ingredientes para alimentos funcionais. Aliás, nessa área, é igualmente promissora a implantação nas propriedades rurais de pequenas instalações agroindustriais, permitindo aos agricultores darem destinação econômica a frutos fora dos padrões exigidos pelo mercado in natura, agregando valor à sua produção.
Uvas para vinhos finos
A viticultura continua sendo uma das áreas de maior investimento do IAC. As pesquisas incluem:
- novas cultivares adaptadas ao clima paulista;
- manejo para produção de vinhos de inverno;
- reguladores vegetais para uniformizar brotação;
- cultivo protegido;
- sistemas de condução que elevam produtividade e qualidade.
O mercado de vinhos produzidos no Sudeste continua em expansão, criando oportunidades para pequenos e médios produtores.
Frutas de clima subtropical e temperado
O IAC vem avaliando materiais genéticos e técnicas para ampliar a produção de:
- caqui;
- maçã de baixa exigência em frio;
- pera;
- pêssego;
- ameixa.
O objetivo é reduzir a dependência de frutas importadas de outras regiões e oferecer alternativas economicamente viáveis para propriedades familiares.
Pitaya
A pitaya aparece entre as frutas com maior potencial de crescimento. Os fatores favoráveis ao seu cultivo incluem:
- alta rentabilidade por hectare;
- crescente consumo interno;
- mercado de exportação;
- boa adaptação a diversas regiões paulistas.
O IAC participa de estudos envolvendo manejo, qualidade dos frutos e seleção de materiais superiores.
Amora-preta e pequenas frutas
As chamadas berries continuam ganhando mercado. Nesse segmento, as pesquisas buscam:
- reduzir custos de produção;
- aumentar produtividade;
- melhorar qualidade pós-colheita;
- adaptar sistemas de condução.
Há espaço para atender mercados especializados, agroindústrias e turismo rural.
Goiaba de alta qualidade
A goiaba permanece como uma das frutas de maior potencial para São Paulo. As linhas de pesquisa incluem:
- novos sistemas de condução;
- melhoria da qualidade dos frutos;
- aumento da vida útil pós-colheita;
- redução de perdas.
Os estudos que vêm sendo realizados ampliam as oportunidades tanto para o mercado de frutas in natura quanto para a indústria de doces e sucos.
Foto de abertura (Alexandre Veloso – Embrapa): plantação de pitaya em região de cerrado
