Descoberta forma de controle biológico do percevejo-barriga-verde
O percevejo-barriga-verde (nome comum dado às espécies Dichelops melacanthus e Dichelops furcatus, entre outras) é uma das principais pragas das culturas de milho e soja no Brasil. A novidade auspiciosa é que pode ser controlado por uma vespa parasitoide, que, para cumprir essa função, precisa ser atraída para a cultura. Isso é conseguido por meio da aplicação nas plantas de um fungo benéfico, que modifica as substâncias aromáticas liberadas pelas folhas e produz um “perfume” atrativo para as vespas. Esse mecanismo biológico foi descoberto por pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e divulgado no dia 30 de junho de 2026.
Os maiores prejuízos causados pelo percevejo-barriga-verde ocorrem em áreas de Sistema Plantio Direto com rotação entre soja e milho. O inseto migra da soja colhida e passa a se alimentar das plantas jovens de milho na primeira e na segunda semanas após o início da germinação. Esse ataque precoce compromete o desenvolvimento das plantas e pode causar perdas de até 30% na produtividade da cultura.
Culturas mais afetadas
A cultura do milho é a que mais sofre com o ataque do percevejo, que suga a base das plantas recém-emergidas, injetando toxinas que podem provocar folhas perfuradas e rasgadas ao se desenrolarem; enrolamento e deformação das folhas; redução do crescimento; perfilhamento excessivo; morte de plântulas quando os ataques são severos; e, consequentemente, perda significativa de produtividade.
Na soja, o percevejo pode atacar plântulas logo após a emergência; alimentar-se de hastes durante o desenvolvimento vegetativo; e sugar vagens e grãos no período reprodutivo. Embora os danos sejam geralmente menores que os provocados por outros percevejos da soja, como Euschistus heros e Nezara viridula, o barriga-verde é importante porque permanece na área após a colheita e migra para o milho safrinha.
O percevejo-barriga-verde ainda ataca outras culturas, que têm menor importância na área de atuação da Credicitrus, como trigo, aveia, cevada e centeio.
Protocolo de manejo integrado
Até o momento, todos os bioensaios e análises sobre essa nova alternativa de controle do percevejo-barriga-verde foram conduzidos em ambiente controlado de laboratório. No entanto, conforme acentua a pesquisadora Maria Carolina Blassioli Moraes, que coordenou os estudos realizados, a intenção é expandir as avaliações para testes práticos diretamente no campo nos próximos meses.
Caso as respostas nas lavouras confirmem os índices laboratoriais, os produtores rurais do país passarão a dispor de um protocolo inédito de Manejo Integrado de Pragas (MIP). Essa metodologia associa múltiplas frentes de controle biológico que atuam em harmonia, otimizando a proteção e reduzindo drasticamente custos com defensivos químicos e impactos ambientais.
Foto de abertura (Embrapa Banco de Imagens): percevejo-barriga-verde em folha de milho
