Evite a degradação de pastagens para lucrar sempre

A degradação de pastagens é um processo gradual, que pode ser evitado quando o produtor acompanha indicadores de produtividade, capacidade de suporte, cobertura vegetal e fertilidade do solo. Esse alerta é do pesquisador Manuel Cláudio Motta Macedo, da Embrapa Gado de Corte. Ele fez essa afirmação, em palestra durante o Dia de Campo da Expedição Baldan e Embrapa “Recuperação de pastagens degradadas – o futuro do agro passa por aqui”, realizado em Campo Grande (MS) nos dias 16 e 17 de junho.

Segundo Macedo, o produtor precisa conhecer, registrar e interpretar os dados da propriedade para antecipar problemas e evitar que a degradação chegue a estágios mais graves. “Qualquer propriedade que não tiver controle de dados e anotação, hoje em dia, está no osso. As margens estão cada vez menores e os insumos muito caros. Nós temos que ter controle do que estamos fazendo”, afirmou. 

Processo começa antes de dar sinais

Para o pesquisador, a degradação deve ser entendida como um processo contínuo, que começa antes de os sinais visuais se tornarem evidentes. A perda de fertilidade do solo, por exemplo, pode ocorrer antes da redução expressiva da cobertura vegetal. “O que mais vemos na prática é o produtor chegar ao fato consumado. A degradação já está instalada, e só então se começa a pensar em como ela chegou ali”.

Entre os principais indicadores que devem ser acompanhados estão a capacidade de suporte da pastagem, o desempenho animal, a presença de pragas e plantas invasoras, a quantidade de solo descoberto, a disponibilidade de forragem e as alterações na qualidade química, física e biológica do solo. 

Método de avaliação

Para facilitar a avaliação no campo, a Embrapa trabalha com estágios de degradação que levam em conta fatores como perda de produtividade animal, queda de vigor das forrageiras, presença de invasoras e pragas, solo descoberto e fertilidade.

Quando a perda de produtividade animal é inferior a 25% e há apenas queda de vigor da pastagem, medidas de manejo podem ser suficientes; à medida que surgem pragas e plantas invasoras, o nível de degradação se agrava, demandando operações de manejo de solo mais robustas.

Reposição de nutrientes

Macedo citou, em sua palestra, resultados de um experimento de longa duração implantado em 1994 no campo experimental da Embrapa Gado de Corte, envolvendo sistemas de pastagem contínua com e sem adubação de manutenção, além de sistemas integrados.

Após anos de acompanhamento, as áreas sem reposição de nutrientes apresentaram queda de produtividade e necessidade de recuperação. Mesmo com manejo controlado, a ausência de adubação comprometeu a sustentabilidade da pastagem ao longo do tempo.

O experimento foi recuperado entre 2016 e 2017 e segue em avaliação, demonstrando a importância de acompanhar a fertilidade do solo e repor nutrientes para manter a produtividade.

Estratégias de recuperação

A iniciativa utiliza ciência e tecnologia mecânica para transformar áreas degradadas em sistemas produtivos eficientes, destacando as seguintes práticas e ações:

  • Subsolagem e gradagem, mediante uso de implementos pesados para romper camadas compactadas do solo, melhorando a aeração e favorecendo o desenvolvimento das raízes.
  • Integração Lavoura-Pecuária (ILP), prática que une agricultura e pecuária, diversificando a produção, protegendo o solo com palhada e melhorando a ciclagem de nutrientes.
  • Correção e fertilidade, por meio da incorporação de corretivos para ajuste de pH e reposição de nutrientes essenciais à terra.]
  • Curvas de nível – Manutenção de estruturas que reduzem a velocidade da água da chuva, diminuindo a erosão e aumentando a infiltração no solo.

Expedição Baldan e Embrapa
O dia de campo realizado em junho, com teoria e prática, integra o projeto “Recuperação de pastagens degradadas – o futuro do agro passa por aqui”, desenvolvido pela Embrapa em parceria com a empresa fabricante de implementos agrícolas Baldan, sediada em Matão (SP).

Um dos objetivos da iniciativa é promover a transferência de tecnologia, a capacitação técnica e a difusão de boas práticas produtivas, aproximando produtores, pesquisadores e empresas do setor agropecuário.

Entomologista e gestora na Embrapa, a pesquisadora Fabrícia Zimermann Vilela Torres, que foi uma das palestrantes do evento, reforçou que a luta de técnicos e produtores pelo país afora contra a degradação visa estimular a adoção de boas práticas e sistemas mais eficientes e sustentáveis, mediante escolha de forrageiras adaptadas, adoção de técnicas de manejo adequadas e constante busca por conhecimento. 

Foto de abertura (Embrapa Gado de Corte): pastagem com severa perda de cobertura vegetal

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