Estamos no El Niño ou na La Niña? Veja a diferença entre eles
Nos últimos meses, os efeitos do El Niño ficaram evidentes no clima, com secas severas em diversas regiões do mundo, inclusive no Brasil, e eventos extremos cada vez mais frequentes. Para quem está na dúvida, o fenômeno permanece, sim, ativo, mas já tem data prevista para acabar.
Segundo o último relatório Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), principal órgão de monitoramento, as temperaturas equatoriais da superfície do mar seguem acima da média em todo Oceano Pacífico, condição que caracteriza o El Niño, porém, de forma menos intensa.
Há 83% de chance do fenômeno iniciar sua transição para a fase de neutralidade ainda neste outono, mais especificamente entre abril e junho de 2024, seguida de um rápido desenvolvimento para La Niña. As projeções indicam 62% do resfriamento dos oceanos ocorrer entre junho e agosto deste ano.
De acordo com Willians Bini, metereologista e Chief Climate Officer (CCO) da FieldPRO, o natural — e esperado — seria ter um espaçamento maior entre o início de cada ciclo, com fases de neutralidades, quando a temperatura do oceano está dentro do padrão, mais longas.
“É um volume grande de água, o natural seria termos um processo de adaptação mais demorado. Mas, há alguns anos, o histórico mostra que estes espaçamentos tem diminuído, mais um dos efeitos das mudanças climáticas”, afirma.
Veja o documento abaixo, em que o azul representa os períodos de El Niño, o vermelho de La Niña e o branco de neutralidade desde 1950.

Qual é a diferença entre La Niña e El Niño?
Os fenômenos indicam as variações de temperatura da porção equatorial do Oceano Pacífico. Durante os períodos de El niño, as águas aquecem 0,5°C ou mais em relação à média histórica. Quando ocorre um resfriamento igual ou maior do que 0,5°C, chamamos de La Niña.
Em ambos os casos, esta oscilação deve se manter por, pelo menos, cinco trimestres consecutivos para o fenômeno ser oficializado como ativo. Há diversas teorias sobre as variações, mas não há um consenso na comunidade para justificar estes ciclos. O que se sabe com certeza os efeitos de La Niña e El Niño no clima.
Em períodos de La Niña, o tempo costuma ficar mais seco no Sul do país, e as chuvas frequentas migram para o Norte e Nordeste do país. No Sudeste e no Centro-Oeste, faz mais frio do que o habitual. Durante o El Niño, o oposto ocorre, problemas de estiagem preocupam o Norte e Nordeste e as tempestades o Sul.

Fonte: Site Globo Rural | Data da publicação: 25/03/2024
