Abelhas sem ferrão aumentam produção de café em até 67%

Um estudo recente realizado pela Embrapa Meio Ambiente confirmou a importância da polinização para a produtividade e a qualidade do café. Há dois anos, cientistas da empresa haviam investigado a inserção de colônias de abelhas manejadas em cafezais convencionais, resultando em 16,5% de aumento no rendimento da lavoura em que foi feita a pesquisa, passando de 32,5 para 37,9 sacas por hectare. O estudo que acaba de ser divulgado apresenta números bem mais elevados, revelando que o manejo de abelhas nativas sem ferrão pode elevar em até 67% a produção de frutos do café arábica.

Esse último trabalho foi publicado na revista científica Frontiers in Bee Science, destacando o potencial da polinização manejada como estratégia para aumentar a produtividade e fortalecer a sustentabilidade da cafeicultura.

CLIQUE AQUI para ter acesso à integra do trabalho (em inglês).

Abelhas mandaguari

O trabalho avaliou o efeito da polinização suplementar realizada por Scaptotrigona depilis, conhecida como abelha mandaguari. Espécie social do grupo dos meliponíneos, ela ocorre em diferentes regiões do Brasil. O aumento de até 67% na produção de frutos em ramos localizados próximos às colônias reforça a eficiência da mandaguari como polinizadora do café, inclusive em cultivares autocompatíveis, isto é, variedades capazes de se autopolinizar.

Para medir esse efeito, em um estudo iniciado em 2021, os pesquisadores instalaram colônias em fazendas convencionais, na densidade aproximada de dez colônias por hectare, antes do início da florada. A produção foi comparada entre ramos próximos às colônias e ramos mais distantes, o que permitiu associar o ganho de rendimento à atividade das abelhas.

Saúde das colônias

Além do efeito sobre a produtividade, os pesquisadores investigaram se o uso de inseticidas neonicotinoides poderia afetar a saúde das colônias. O foco foi o tiametoxam, utilizado em safras anteriores em áreas convencionais. Os pesquisadores monitoraram indicadores como produção de cria, mortalidade de crias e atividade de coleta de alimentos e materiais usados na construção das estruturas internas de seus ninhos. As avaliações ocorreram em diferentes momentos: uma semana antes da florada; uma semana logo depois da florada; e cerca de 45, 75 e 105 dias após retirada do talhão de café.

Não foram observados impactos estatisticamente significativos sobre os parâmetros avaliados nas colônias. Indicadores como produção e mortalidade de crias não apresentaram diferenças relevantes entre colônias instaladas em áreas convencionais e aquelas mantidas em propriedades orgânicas após o período de exposição. A atividade de coleta mostrou variações iniciais entre os sistemas, mas essas diferenças diminuíram ao longo do monitoramento.

Foto: Embrapa Meio Ambiente

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