Espécies nativas do Cerrado são boa opção de sombra para bovinos
A arborização de pastagens é uma excelente forma de oferecer sombra aos bovinos e mitigar o estresse térmico-calórico, que se acentua nos períodos de seca. Nesse sentido, a escolha das espécies florestais adequadas tem importância fundamental e representa um dos maiores desafios para os pecuaristas que buscam ter rebanhos mais produtivos e, ao mesmo tempo, proporcionar bem-estar aos animais, atendendo assim às crescentes exigências ambientais dos países importadores, especialmente da União Europeia.
Esse tema é focalizado em detalhes no livro, recém-lançado pela Embrapa Gado de Corte, “Potencial de uso de árvores nativas do Cerrado em arboreto na arborização de pastagens”, de autoria dos pesquisadores Diego Rezende da Fonseca, Fabiana Villa Alves, Sílvia Rahe Pereira e Valdemir Antonio Laura.
Nessa publicação, os autores ressaltam que, no Brasil, na maioria das vezes, são usadas espécies florestais exóticas (Eucalyptus e Pinus). No entanto, para as espécies nativas, há carência de informações sobre as características termofísicas de suas sombras.
Adicionalmente, ressaltam que a madeira das espécies nativas é muito valorizada, porém sua exploração está diminuindo devido à redução dos estoques e a restrições legais.
Para ir de encontro a esse quadro e, concomitantemente, criar condições mais adequadas para os animais, uma alternativa é o plantio dessas espécies em arranjos mistos, sendo também adequados para a produção de madeira para serraria e laminação.
“Bosquetes”
De acordo com o estudo, as árvores podem ser plantadas em pequenos grupos, constituindo os conhecidos “bosquetes”, configuração que foi adotada pelos pesquisadores para avaliação nesse trabalho.
Foram avaliadas no campo, nesse estudo, 13 espécies arbóreas nativas do bioma Cerrado: angico-vermelho (Anadenanthera colubrina), angico-preto (Anadenanthera peregrina), cumbaru (Dipteryx alata), jenipapo (Genipa americana), chico-magro (Guazuma ulmifolia), ipê-roxo (Handroanthus heptaphyllus), ipê-amarelo (Handroanthus ochraceus), jatobá-do-cerrado (Hymenaea stigonocarpa), caroba (Jacaranda cuspidifolia), aroeira (Myracrodruon urundeuva), canafístula (Peltophorum dubium), amendoim-bravo (Pterogyne nitens) e tarumã (Vitex polygama).
Aos 32 meses do plantio, todas essas espécies foram avaliadas, medindo-se altura total, altura do fuste, altura da copa, diâmetro na altura do peito e diâmetro de copa.
Os resultados observados demonstram que pelo menos duas espécies – canafístula e chico magro – demonstram maior potencial de uso, tanto pelo diâmetro na altura do peito quando pela área de sombra medidos nesse período.
O estudo completo em pdf está disponível para download gratuito no website da Embrapa Gado de Corte. Para obtê-lo, CLIQUE AQUI.
