É preciso pensar em agregar mais valor à soja, alerta pesquisador
O chefe-geral da Embrapa Soja, Alexandre Nepomuceno, alerta para a provável redução do ritmo de crescimento das exportações do agronegócio brasileiro para a China nos próximos anos, enquanto a demanda nos demais países importadores está praticamente estabilizada.
O boom observado nos últimos anos nas importações chinesas, que impulsionou a produtividade mundial, não se repetirá, segundo ele, prevendo uma desaceleração natural particularmente nas exportações de soja. Para isso, serão necessários não só esforços do meio empresarial, mas será fundamental, na sua avaliação, uma política de estado que dê sustentação às iniciativas do setor privado.
A desaceleração prevista por Nepomuceno será devida não só ao amadurecimento da demanda chinesa, mas igualmente à concorrência de outros países produtores, particularmente na África, em cuja agropecuária a China vem investindo pesadamente, não só mediante aquisição de terras, mas também em melhorias na infraestrutura.
As condições de solo e clima similares às brasileiras observadas em algumas áreas e a maior proximidade geográfica com a Ásia podem tornar as commodities produzidas em solo africano mais competitivas.
Embora a capacidade de produção dos países africanos seja relativamente pequena em comparação com a brasileira, sua entrada no mercado poderia ocupar uma parcela ponderável do volume adicional de soja (e outros produtos agrícolas) que o Brasil exporta.
Alternativas promissoras
Considerando esse cenário futuro, Nepomuceno recomenda que se comece a pensar em novas formas de processamento da soja, visando à produção de itens com alto valor agregado, cuja demanda tende a crescer nos próximos anos.
Nesse sentido, menciona com ênfase os biocombustíveis. Segundo ele, o Combustível Sustentável de Aviação (SAF = Sustainable Aviation Fuel) e o diesel verde (green diesel) são duas opções nas quais os Estados Unidos já vêm investindo pesadamente, contando inclusive com políticas oficiais de apoio.
Esses dois combustíveis podem ser produzidos a partir de várias matérias-primas, representando a alternativa mais promissora para a transição energética global dos combustíveis fósseis para alternativas ambientalmente sustentáveis. Para isso, são utilizadas matérias-primas não só com grande disponibilidade, mas com alta capacidade de reduzir as emissões de gases de efeito estufa durante todo o ciclo de vida dessas fontes de energia “limpas”.
Matérias-primas
O SAF pode ser obtido não só da soja e outras oleaginosas, mas igualmente de óleos e gorduras vegetais (incluindo óleo de cozinha usado), gorduras animais, biomassa (resíduos agrícolas), resíduos orgânicos urbanos e até gases residuais, como CO2 capturado da atmosfera, especialmente quando combinado com hidrogênio verde. Este último é produzido por meio de eletrólise da água, ou seja, da separação do oxigênio e do hidrogênio que a compõem com o uso de fontes de energia renováveis como eólica, fotovoltaica e hídrica.
Além disso, o etanol produzido a partir de milho ou cana-de-açúcar pode ser convertido em SAF. A empresa brasileira Raízen foi a primeira do mundo a ter seu etanol certificado para produção de SAF, o qual é regularmente exportado para a primeira unidade produtora desse biocombustível nos Estados Unidos.
O green diesel pode ser produzido a partir de óleo de soja (e de outras oleaginosas), óleo de cozinha usado, gorduras vegetais e animais, resíduos agrícolas e florestais e glicerina (subproduto do biodiesel).
Possibilidades
Em recente matéria publicada no portal AgFeed, Alexandre Nepomuceno discorre sobre as possibilidades que se abrem para a expansão do agronegócio brasileiro e, em especial, para o melhor aproveitamento da soja, não apenas como commodity. Além disso, fala sobre as iniciativas que já vêm sendo empreendidas, representando importantes avanços rumo a uma economia de baixo carbono. CLIQUE AQUI para ter acesso à íntegra desse texto.
