Comitiva do agro viaja à China buscando elevar exportações
A guerra tarifária entre Estados Unidos e China, cujos desdobramentos ainda são incertos, pode criar oportunidades adicionais para as exportações da agropecuária brasileira. Considerando esse cenário, deve embarcar para a China, a partir desta primeira semana de maio, a maior comitiva brasileira de representantes do setor.
A China já é o principal comprador de soja e carnes do Brasil. Outros segmentos do agronegócio brasileiro buscam ampliar as vendas à China, que, em 2024, totalizaram quase US$ 50 bilhões.
De acordo com informações publicadas pelo jornal Valor Econômico e pelo Globo Rural, 150 dirigentes empresariais ligados a diferentes segmentos produtivos estarão em território chinês para agendas sobre aberturas de mercado, ampliação das exportações e discussões sobre questões sanitárias e tarifárias.
Ao menos nove segmentos estarão representados na delegação: carne bovina, carne de aves e suínos, milho, frutas, café, algodão, citros, biotecnologia, etanol de milho e DDG (“Dried Distillers Grains” ou em português, grãos secos de destilaria, que são um subproduto da produção de etanol a partir de grãos).
Programação ampla
Durante a estada da comitiva brasileira, haverá eventos promovidos por associações nacionais com importadores chineses e missões ao interior da China para atrair novos clientes e conhecer hábitos de consumo da população local.
Adicionalmente, os executivos brasileiros devem visitar, em Xangai, a maior feira chinesa do setor alimentício, programada para 19 a 21 de maio.
Carnes
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) e a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) vão inaugurar um escritório conjunto em Pequim.
Empresas de carne bovina buscarão ampliar suas vendas a cidades do interior chinês.
Já os frigoríficos de carnes de aves e suínos olham possibilidades de ocupar eventuais espaços deixados pelos americanos.
Frutas
No caso das frutas, o objetivo é destravar as vendas de melão e uva, que têm autorização de embarque ao país, mas sem grandes volumes comercializados até o momento. A Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) vai enviar 42 pessoas para entender as preferências e particularidades do mercado para realizar negociações mais efetivas com os importadores chineses.
“O correto posicionamento do nosso produto é fundamental para a continuidade da relação comercial. Temos todas as condições de competir muito bem, desde que a gente entenda a necessidade deles e os atenda”, afirmou o gerente técnico da Abrafrutas, Jorge de Souza.
Café
O segmento de café também está otimista com a expansão dos negócios. Na visão dos produtores nacionais, clientes asiáticos estão dispostos a pagar mais pelo grão brasileiro. O presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (CeCafé), Márcio Ferreira, estará na China para agendas com autoridades locais e participação em feiras.
