Atual safra citrícola é a segunda menor em quase 40 anos
A produção de laranjas no cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais (Triângulo e Sudoeste), na safra 2024/2025, soma 230,8 milhões de caixas de 40,8 kg, de acordo com o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus). Esse volume é 25% inferior ao da safra 2023/2024, quando foram produzidas 307,2 milhões de caixas, colocando a presente colheita como a segunda menor dos últimos 37 anos.
Os principais fatores para essa queda foram as condições climáticas adversas e a incidência do greening, pior doença da cultura em todo o mundo, provocando a redução na quantidade e no peso dos frutos produzidos. O prejuízo só não foi maior em razão da emissão tardia e expressiva da quarta florada das plantas.
Impacto da seca
O diretor-executivo do Fundecitrus, Juliano Ayres, comentou: “Embora as previsões meteorológicas apontassem para pouca chuva na época de desenvolvimento dos frutos, o impacto das condições climáticas de maio a agosto de 2024 foi muito mais intenso do que o previsto. O volume de chuvas ficou 31% abaixo do previsto, enquanto as temperaturas máximas registraram médias de 3 ºC a 4 ºC acima da média histórica”.
Esses fatores combinados levaram à antecipação da colheita e à produção de frutos de tamanho menor. O desenvolvimento dos frutos foi afetado pela seca e pelas altas temperaturas, que aceleraram o processo de maturação.
Desse modo, uma grande parcela da safra foi colhida no período de seca, o que explica o menor peso dos frutos. Enquanto os frutos de primeira, segunda e terceira florada tiveram peso médio de 162 gramas, os de quarta florada situaram-se em 146 gramas.
Queda de frutos
Por outro lado, o ritmo mais acelerado de colheita contribuiu para diminuir a taxa de queda de frutos e as perdas na produção. A taxa média de queda no cinturão citrícola foi de 17,8% (cerca de 50 milhões de caixas) no acumulado geral desde o início da safra, sendo a menor taxa registrada nos últimos cinco anos.
Os demais fatores responsáveis pela queda de produção foram o greening (25 milhões de caixas), o bicho-furão e as moscas-das-frutas (12 milhões de caixas), além de outras causas de menor impacto como queda natural e mecânica, pinta preta, leprose e cancro cítrico.
