Armazenagem nas propriedades rurais vem crescendo fortemente

Quase duplicou, nos últimos 15 anos, a capacidade de armazenagem nas propriedades rurais brasileiras. De acordo com dados do Sistema de Cadastro Nacional de Unidades Armazenadoras (Sicarm), passou de 20,68 milhões de toneladas, em 2010, para 35,64 milhões de toneladas em 2025.
Esses dados foram divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), no dia 5 de junho, durante o evento de lançamento do Anuário Agrologístico 2025.
Autonomia
“Cada vez mais, os produtores brasileiros reconhecem a importância e as vantagens de se ter um local apropriado para guardar a produção dentro das propriedades”, afirma Stelito dos Reis Neto, superintendente de Armazenagem da Conab. Acrescenta: “Ao dispor de um armazém, o agricultor ganha autonomia para definir seu fluxo de comercialização, podendo armazenar parte da produção e aguardar momentos mais favoráveis de mercado para realizar a venda, o que contribui para a melhoria de seus resultados financeiros”.
O incremento registrado na armazenagem nas propriedades rurais acompanha o movimento de alta na capacidade estática brasileira verificada nos últimos 15 anos. Porém, a taxa média de crescimento da capacidade estática nas fazendas (3,69%) é superior à taxa média de crescimento da armazenagem no país (2,86%).
“Isso demonstra que os produtores têm investido nessas estruturas e enxergam as vantagens para a atividade. No entanto, ainda há um longo caminho a percorrer, considerando que os armazéns localizados nas fazendas representam apenas 16,8% da capacidade estática nacional”, pondera o superintendente da Conab.
Mato Grosso lidera
Ainda de acordo com o Sicarm, Mato Grosso é o estado que registra a maior capacidade estática nas propriedades rurais, seguido de Bahia, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
Mato Grosso registrou um crescimento de 52,7% na armazenagem nas fazendas, saindo de 9,62 milhões de toneladas em 2017 para cerca de 14,7 milhões de toneladas em 2025.
Porém, nesse período, o destaque ficou para Piauí e Tocantins, dois dos estados que integram a nova fronteira agrícola do país, o Matopiba. Os investimentos dos agricultores piauienses fizeram a capacidade estática sair de 246,25 mil toneladas para 1,77 milhão de toneladas nas propriedades, enquanto em Tocantins, a capacidade subiu de 361,59 mil toneladas para 1,12 milhão de toneladas, com 210,54% de aumento. Também registraram crescimento significativo no armazenamento Pará, Roraima e São Paulo.
