Abelhas sem ferrão são vitais para a agricultura
Há no Brasil cerca de 250 a 300 espécies de abelhas sem ferrão, pertencentes à tribo Meliponi, em sua grande maioria com extrema importância para a polinização na agricultura. A propósito, a Embrapa lançou em 2024 o livro “Meliponicultura: o produtor pergunta, a Embrapa responde”, que faz parte da sua coleção “500 perguntas, 500 respostas”.
Essa obra foi estruturada para esclarecer as dúvidas dos interessados, abordando questões conceituais (como criar colônias e ninhos, técnicas de manejo de meliponários e saúde das abelhas, entre outras), a viabilidade econômica da atividade e a legislação pertinente. Está disponível no portal da Embrapa para leitura ou download gratuito em formato digital (PDF e ePub). CLIQUE AQUI para consultá-la ou baixá-la.
Importância explicada
Três fatores justificam a atenção e os cuidados que devem ser dados às abelhas sem ferrão: são polinizadores eficientes, contribuem para o aumento da produtividade de várias culturas e da qualidade dos seus frutos e ainda são essenciais para o equilíbrio ambiental.
Com isso, representam um recurso estratégico para a agricultura, especialmente para a produção de alimentos de alto valor e em sistemas baseados em práticas mais sustentáveis e orgânicas, como as agroflorestas e a polinização em estufas.
Os três fatores citados acima são brevemente explicados a seguir.
Polinizadores eficientes
As abelhas sem ferrão compõem o grupo mais abundante de polinizadores em muitos ecossistemas brasileiros. Muitas espécies são mais adaptadas à flora local e podem ser polinizadores mais eficientes do que a abelha Apis mellifera (abelha do mel, de origem europeia e africana), especialmente para as culturas que exigem um tipo particular de polinização, a vibração, que algumas espécies de abelhas nativas realizam. As principais culturas beneficiadas pela ação dessas abelhas são abacate, abóbora, acerola, berinjela, caju, goiaba, laranja, limão, maracujá, melão, morango, pepino, pimenta, pimentão, tomate, tangerina e urucum.
Essas culturas possuem anteras que liberam o pólen apenas quando vibradas, um efeito naturalmente provocado pelas abelhas dos gêneros Melipona, como mandaçaia, uruçu, tiúba (ou uruçu-cinzenta), tujuba (ou uruçu-amarela), jandaíra e rajada (ou manduri), algumas das quais também são valorizadas pelo mel que produzem.
Produtividade e qualidade
A polinização por abelhas sem ferrão (mas igualmente de outros polinizadores) é um serviço ecossistêmico essencial. Não só aumenta a quantidade da produção em mais de 60% das plantas cultivadas no Brasil, mas também melhora a qualidade de frutos e sementes nas diversas culturas já mencionadas.
Conservação ambiental
A criação racional de abelhas sem ferrão ou meliponicultura é incentivada como uma forma de conservação das espécies e, indiretamente, de seus habitats, como a Mata Atlântica (onde são responsáveis pela polinização de até 90% das espécies de plantas nativas), Caatinga e Pantanal. A preservação desses ambientes no entorno das áreas agrícolas é crucial para a resiliência do sistema produtivo.
