Ressincronização em bovinos, tecnologia ainda pouco usada
A estratégia de realizar, na mesma estação reprodutiva, uma ou mais inseminações artificiais em tempo fixo (IATF) em matrizes bovinas pode gerar benefícios aos pecuaristas, proporcionando aumento de produtividade em seus rebanhos. Esse procedimento, denominado ressincronização, já é utilizado por muitos produtores, mas ainda tem amplo potencial de expansão no mercado brasileiro.
Na região Sudeste, a estação reprodutiva de bovinos vai de novembro a fevereiro, podendo variar ligeiramente em função das condições climáticas. Nesse período, a estratégia de ressincronização consiste em aplicar um novo protocolo de inseminação nas matrizes que, no diagnóstico de gestação (DG) realizado 30 dias após o primeiro protocolo, tenham apresentado resultado negativo para prenhez. Esse procedimento pode ser repetido 30 dias depois.
Potencial de expansão
De acordo com Isabella Marconato, gerente de Programas Especiais de Corte da filial brasileira da empresa canadense Alta, especializada em melhoramento genético de bovinos, a ressincronização ainda tem muito a crescer no Brasil: “Essa técnica traz um ganho real de produtividade, já que a velocidade com que as vacas se tornam gestantes é muito importante para a rentabilidade das fazendas. Incluindo essa estratégia no planejamento, o pecuarista aumenta a quantidade de fêmeas prenhas no início da estação de monta e consequentemente o número de bezerros do cedo [bezerros que nascem no início do período reprodutivo]”.
Segundo Marconato, a adoção dessa estratégia pode aumentar o retorno do investimento do produtor de forma significativa e, consequentemente, diminuir o custo da prenhez, principalmente nas categorias de maior desafio, como as fêmeas que vão parir pela primeira vez. Explica: “Com a ressincronização, além de termos mais bezerros do cedo que já são mais pesados por fatores ambientais, ainda conseguimos um ganho genético adicional por aumentar a quantidade de bezerros nascidos oriundos da IATF e também a possibilidade de termos animais frutos de cruzamento industrial”.
Técnicas tradicional, precoce e superprecoce
A ressincronização tradicional é feita 30 dias (em média) após a primeira IATF.
Já a ressincronização precoce é realizada próxima ao 22° dia após a primeira inseminação, ou seja, com o início do novo protocolo ocorrendo antes do diagnóstico de gestação.
Por fim, a ressincronização superprecoce é feita no 14° dia, também antes do diagnóstico de gestação.
Marconato complementa: “A escolha do tipo de ressincronização depende dos objetivos da fazenda, da duração da estação de monta e do número de ressincronizações, entre outros fatores. Por isso, é fundamental realizar um bom planejamento antes da estação reprodutiva”.
