Cultivares de café lançadas pelo IAC geram bons resultados no campo

O Instituto Agronômico (IAC) é responsável por mais de 90% das variedades de café arábica cultivadas em São Paulo e Minas Gerais, e seus pesquisadores continuam trabalhando no desenvolvimento de novas cultivares.

Vale ressaltar que o IAC é a mais antiga instituição de pesquisa agronômica do Brasil (foi fundado em 1887 por decreto do imperador Pedro II) e sua atuação na área de café já tem mais de 100 anos. A Seção de Café do Instituto foi fundada em 1923, dando origem ao atual Centro de Café “Alcides Carvalho”, nome dado em homenagem a um dos mais notáveis pesquisadores da área no mundo. Ele foi responsável por transformar o melhoramento genético do cafeeiro em uma atividade científica sistemática, desenvolver variedades mais produtivas, como a Mundo Novo, lançada nos anos 1950, e preparar a cafeicultura brasileira para enfrentar doenças que ameaçavam a produção.

Nova geração de materiais

O sucesso alcançado pela nova geração de materiais lançada nos últimos anos se deve à combinação de alta produtividade e resistência à ferrugem.

Os grandes destaques do portfólio de novas variedades são:

  • IAC 125 RN (popularmente conhecido como IBC12 ou “Café Uva”). Embora tenha sido registrada originalmente no Ministério da Agricultura e Pecuária em 2021, passou por anos de testes em escala de campo antes de ter sua distribuição em massa e licenciamento consolidados para os produtores nos últimos anos (com forte presença comercial e disponibilidade ampliada);
  • IAC Obatã 4739 (Amarelo). Trata-se de uma evolução do Obatã tradicional, focado em frutos amarelos e plantas com alto vigor;
  • IAC Catuaí SH3. É uma linhagem de Catuaí modificada para carregar o gene SH3 de resistência à ferrugem.

A cultivar de maior sucesso

A variedade que tem alcançado maior sucesso de mercado e registrado forte demanda por novas sementes e mudas é IAC 125 RN. O grande interesse dos produtores por essa cultivar se justifica pelos resultados práticos que tem proporcionado aos cafeicultores.

No que se refere à produtividade, em testes regionais comparativos, registrou ganhos de produtividade de 35% a 70% em relação às lavouras tradicionais de Catuaí. Em áreas irrigadas (como no Cerrado Mineiro), tem atingido marcas médias superiores a 60 sacas por hectare.

A resistência é outro fator de destaque. Além de ser imune a todas as raças da ferrugem-do-cafeeiro presentes no Brasil, traz o diferencial de resistência a nematoides (Meloidogyne exigua), resolvendo um dos maiores problemas de solo enfrentados pelos produtores atuais e reduzindo drasticamente o custo com aplicação de defensivos químicos.

A eficiência na colheita também é mais alta. Por ser uma planta de porte baixo, é adaptada ao plantio adensado e à mecanização. Seus frutos têm forte aderência na maturação precoce, o que reduz consideravelmente o “café de chão” (grãos que caem e perdem qualidade) antes da colheita.

Para completar, a qualidade comercial é outro atributo que diferencia essa variedade, que tem produzido frutos grandes (daí sua denominação de “Café Uva”), com alto índice de classificação em peneiras altas (cerca de 70% dos grãos ficam entre as peneiras 16 e 18), o que assegura melhor preço de venda no mercado de grãos finos.

Manejo requer atenção

Os pesquisadores do Centro de Café “Alcides Carvalho” advertem para um aspecto: embora o IAC 125 RN entregue tetos produtivos muito altos, é um material precoce e exigente. Por conta disso, o produtor precisa fazer um planejamento nutricional assertivo e antecipado (especialmente em adubação e fornecimento de água) para que a planta expresse todo o seu potencial genético sem sofrer depauperação precoce.

Segundo a equipe do IAC, para implantar ou conduzir uma lavoura de IAC 125 RN, a estratégia mais segura é combinar análise de solo e foliar, adubação ajustada à meta de produtividade e monitoramento da umidade do solo. A irrigação ou fertirrigação merece especial consideração em regiões sujeitas a veranicos.

A principal fonte técnica sobre essa variedade é o Boletim Técnico IAC nº 236 — IAC 125 RN, de 2024, onde o produtor encontrará todas as recomendações em detalhes.

Foto de abertura: Luiz Carlos Fazuoli (pesquisador do IAC)

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