Consumo de café brasileiro cresce no mundo
O consumo interno de café mantém-se estável nos últimos 10 anos, mas as vendas externas do produto vêm evoluindo de forma positiva, não só em volume, mas também em receita, sendo notável ainda a diversificação de mercados importadores que o Brasil vem obtendo nesse período.
No que diz respeito ao mercado interno, o volume consumido anualmente nesse período, de acordo com estatísticas da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), é mostrado na tabela a seguir:
| Ano | Sacas (milhões) |
| 2016 | 21,2 |
| 2017 | 22,0 |
| 2018 | 21,0 |
| 2019 | 20,9 |
| 2020 | 21,2 |
| 2021 | 21,5 |
| 2022 | 21,3 |
| 2023 | 21,7 |
| 2024 | 21,9 |
| 2025 | 21,3 |
Exportações
Nos últimos 10 anos, ocorreram três movimentos:
O primeiro, de 2016 a 2020, foi marcado por uma forte expansão no volume exportado, que passou de 34 milhões para 44,5 milhões de sacas de 60 kg, com aumento de aproximadamente 31%;
Na sequência, de 2021 a 2023, o volume embarcado para o exterior manteve uma certa estabilidade em torno de 39 a 40 milhões de sacas, mas a receita cresceu de forma expressiva, de US$ 6,24 bilhões em 2021 para US$ 9,23 bilhões em 2022, recuando para pouco mais de US$ 8 bilhões em 2023, ainda assim com ganho significativo na média;
O terceiro movimento, relativo a 2024 e 2025, se caracterizou por uma alteração radical na relação volume/receita. Em 2024, o Brasil exportou 50,44 milhões de sacas, com receita de US$ 12,52 bilhões, dois recordes históricos. Em 2025, o volume exportado caiu 20,6%, porém a receita aumentou 24,5%, atingindo novo recorde.
A tabela a seguir, com dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), apresenta essa evolução ano a ano:
| Ano | Sacas (milhões) | Receita (US$ bilhões) |
| 2016 | 34,01 | 5,40 |
| 2017 | 30,79 | 5,20 |
| 2018 | 35,20 | 5,09 |
| 2019 | 40,60 | 5,10 |
| 2020 | 44,50 | 5,60 |
| 2021 | 40,37 | 6,24 |
| 2022 | 39,35 | 9,23 |
| 2023 | 39,25 | 8,04 |
| 2024 | 50,44 | 12,52 |
| 2025 | 40,05 | 15,59 |
Estatísticas internacionais
O consumo mundial de café, segundo a Organização Internacional do Café (OIC/ICO), aumentou no período de 2016 a 2025, embora com algumas oscilações, conforme mostra a tabela a seguir:
| Ano-safra | Sacas (milhões) | Variação (%) |
| 2016/17 | 155,1 | +0,3 |
| 2017/18 | 161,9 | +4,4 |
| 2018/19 | 171,2 | +5,7 |
| 2019/20 | 168,6 | -1,5 |
| 2020/21 | 169,9 | +0,8 |
| 2021/22 | 176,6 | +4,0 |
| 2022/23 | 173,1 | -2,0 |
| 2023/24 | 177,0 | +2,2 |
| 2024/25 | 175,1 | -1,1 |
Principais compradores
O quadro dos maiores importadores do café brasileiro se manteve praticamente inalterado nas primeiras cinco colocações ao longo desses 10 anos.
Os Estados Unidos ficaram em primeiro lugar de 2016 a 2024, com a Alemanha em segundo. Em 2025, a Alemanha passou à liderança, ultrapassando os EUA.
As três posições seguintes foram ocupadas por Itália, Japão e Bélgica, com algumas trocas de colocação ao longo do período, em razão principalmente do aumento das compras pela Bélgica, notadamente em 2020 e 2024.
Movimentos mais significativos vêm ocorrendo no bloco do sexto ao décimo lugar. Até 2021, Turquia, Reino Unido, Rússia, Canadá e França foram os principais importadores. Em 2021, a Colômbia apareceu em sexto lugar, posição que manteve no ano seguinte, seguida por Turquia, Rússia, Holanda e Coreia do Sul (estes dois últimos passando a figurar como compradores importantes desde então).
Diversificação é o destaque
Em 2023, a China, que até então ocupava colocação modesta, começou a crescer, embora ainda não figurasse entre os 10 primeiros, o que ocorreu em 2025. Nesse ano, ocupou a décima posição, com perspectiva de melhorar essa posição desde então. O país merece atenção especial porque seu consumo ainda é muito baixo em relação ao tamanho de sua população, mas vem crescendo rapidamente.
Em resumo, considerando o cenário dos últimos 10 anos, omercado mundial cresceu, mas o Brasil aumentou sua presença de maneira mais rápida e diversificou seus destinos, o que, em outras palavras, significa que vem consolidando sua pfesença no mercado mundial.
Há uma segunda conclusão ainda mais interessante: a dependência brasileira dos EUA diminuiu relativamente, embora o país continue sendo um dos dois maiores clientes do Brasil. Em 2016, representava cerca de 19% das exportações brasileiras; em 2025, apenas 13,4%. Ao mesmo tempo, a Alemanha caiu de 18,3% para 13,5%. Em contrapartida, mercados como Japão, China e Turquia ganharam espaço.
