Bovinos requerem cuidados no final da seca e início do período chuvoso

Pecuária

A transição do período seco para o chuvoso é um dos momentos mais críticos e desafiadores para os pecuaristas brasileiros, particularmente os que se dedicam à cria e recria tanto de gado de corte quanto de leite.

A brusca mudança na qualidade e na quantidade da forragem exige um manejo nutricional e sanitário cuidadoso para evitar perdas de peso, prejuízos na reprodução e diminuição da imunidade dos animais.

Com base em informações de instituições como Embrapa Gado de Corte, Embrapa Gado de Leite, Embrapa Pecuária Sudeste e Instituto de Zootecnia do estado de São Paulo, são listados nesta matéria os principais cuidados que os criadores devem tomar nesse período.

Gado de corte

O principal desafio na transição seca-águas é a mudança radical na dieta dos animais, que saem de pastagens secas e fibrosas, com baixo teor de proteína, para pastagens com brotos novos, ricas em água e com teor de proteína mais elevado, porém ainda deficientes em energia. Se essa mudança de cenário não for administrada de forma adequada, o gado pode apresentar quadros de diarreia e outros problemas digestivos.

Os principais pontos de atenção são:

  • Suplementação estratégica, que é essencial para suprir as deficiências nutricionais e auxiliar na adaptação do rúmen do animal. No final da seca, a forragem é pobre em proteína e energia. Por isso, a suplementação proteica e energética é fundamental para manter a condição corporal do rebanho, especialmente das vacas em lactação e dos bezerros.
  • Manejo de pastagem – A estratégia de diferimento de pastagem (ou seja, vedação de uma área) permite acumular forragem no período das chuvas para ser utilizada na seca. No entanto, o capim diferido tem baixo valor nutricional. Na transição para as águas, o ideal é que os animais tenham acesso a pastos com brotação nova.
  • Água de qualidade – A água é fundamental, mas muitas vezes negligenciada. O gado deve ter acesso a água limpa e fresca em bebedouros bem distribuídos na propriedade. Aumentar a distância entre o cocho e o bebedouro incentiva o movimento dos animais e ainda evita que restos de alimentos contaminem a água.
  • Sanidade – O reinício das chuvas e o aumento da umidade criam o ambiente ideal para a proliferação de parasitas, como carrapatos e vermes. É fundamental reforçar o monitoramento e o controle desses parasitas, por meio da vermifugação e da vacinação conforme o calendário sanitário de cada região.

Gado leiteiro

Os cuidados com o gado leiteiro na transição da estação seca para a chuvosa são semelhantes aos dedicados ao gado de corte, com a diferença de que a nutrição precisa ser ainda mais precisa para não comprometer a produção de leite e a saúde das vacas. Estas, especialmente em período de lactação, têm uma demanda nutricional muito alta. Os principais cuidados são resumidos a seguir.

  • Nutrição precisa – A suplementação de vacas em lactação no final da seca é crucial, pois a baixa qualidade do pasto afeta sua produção e sua fertilidade. Na transição para as águas, a dieta deve ser ajustada para suprir a demanda energética, que pode ser deficiente na forragem nova. A proteína é importante para a produção de leite, mas se for fornecida em excesso pode causar problemas metabólicos. Por isso, um bom balanceamento da dieta é fundamental.
  • Conforto animal – É outro cuidado essencial, além da nutrição. Para isso, é importante assegurar áreas de sombra suficientes e cochos com espaçamento adequado, evitando superlotação, especialmente entre vacas e novilhas. A água limpa e fresca é ainda mais importante, pois as vacas leiteiras a consomem em grande quantidade diariamente.
  • Manejo da vaca seca – A secagem da vaca consiste em esgotar o úbere e aplicar um antibiótico de longa duração específico para essa fase. Esse período é vital para a recuperação da condição corporal do animal para a próxima lactação após o parto. Os cuidados mais importantes incluem:
    • monitoramento da condição corporal, para que a vaca entre e saia do período seco nem magra, nem gorda, evitando problemas de metabolismo após o parto;
    • dieta ajustada para atender às exigências nutricionais dessa fase, que são diferentes das de lactação, incluindo fornecimento de forragem de boa qualidade, uso de concentrado específico para a fase de gestação e balanceamento correto de minerais como cálcio, fósforo, magnésio e selênio;
    • conforto para os animais, com disponibilidade de água limpa e fresca, sombra, currais e piquetes sem superlotação e ambiente limpo e seco para reduzir o risco de mastite ambiental.

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