A safra brasileira de café de 2024/25 foi marcada por uma queda na produção, principalmente devido à bienalidade do café arábica e a condições climáticas desfavoráveis, como seca e altas temperaturas, que afetaram a floração.
A produção total ficou em 54,21 milhões de sacas, com leve redução em relação à safra anterior. Nesse quadro, o café conilon se destacou, com aumento significativo de produção, impulsionado pela regularidade climática em regiões como o Espírito Santo.
Quanto às exportações, a safra 2024/25, mesmo com a queda na produção, gerou uma receita recorde de US$ 14,7 bilhões, graças à alta dos preços do grão no mercado internacional, reflexo da oferta global restrita e dos estoques historicamente baixos.
Perspectivas para a safra 2025/26
A colheita da safra 2025/26 já está em andamento, avançando em ritmo forte, e as perspectivas iniciais indicam um cenário misto.
No geral, espera-se que o volume colhido seja maior do que em 2024/25, com destaque para um recorde histórico na produção de conilon, que pode chegar a 18,7 milhões de sacas. A produtividade do arábica, no entanto, registrou uma queda.
Impacto do “tarifaço”
A imposição da tarifa de 50% pelo presidente dos EUA sobre produtos brasileiros tem gerado preocupação no setor cafeeiro. Mesmo antes da entrada em vigor da medida, houve queda nos preços atacadistas de café no Brasil, refletindo o temor do mercado.
A incerteza é alta. Enquanto o Brasil é o principal fornecedor de café para os Estados Unidos, a tarifa pode encarecer o produto para o consumidor americano e forçar importadores a buscar alternativas em outros países, como Colômbia e Vietnã. Essa medida pode prejudicar as exportações brasileiras para um de seus maiores mercados e pressionar ainda mais os preços internos. Mas ainda há esperança de que o café venha a ser isento da tarifa, já que os EUA não produzem o grão internamente.
Cafés especiais em ascensão
As exportações de cafés especiais e com maior valor agregado, como os cafés torrado, torrado e moído e solúvel, estão crescendo e representam uma importante e promissora tendência para a cafeicultura brasileira, que busca diversificar e fortalecer a presença no cenário global, indo além do papel de tradicional exportadora de commodity. Isso permite ao produtor e ao Brasil como um todo obter uma margem de lucro maior, já que o valor é agregado aqui, não no exterior.
As exportações de cafés especiais já representam uma fatia considerável do total exportado, revelando um aumento consistente em volume e receita. Isso indica que a demanda por cafés de alta qualidade e com origem controlada está em alta no mercado global, e o Brasil está se adaptando com rapidez para atender a essa demanda.
A busca por maior valor agregado também está direcionando o Brasil para novos mercados, como a Ásia, onde a demanda por cafés diferenciados está em crescimento.
Números em alta
Em 2024, o Brasil exportou 9,1 milhões de sacas de cafés diferenciados (que incluem cafés especiais, com selos de certificação e de origem, por exemplo), gerando uma receita de US$ 2,5 bilhões. O preço médio por saca desses cafés foi significativamente maior do que do café commodity, reforçando a estratégia de agregação de valor.
Já o café solúvel, que é um produto processado de alto volume, também tem mostrado crescimento constante, representando uma fatia importante das exportações de café industrializado do Brasil. Em 2025, os embarques de café solúvel alcançaram 1,9 milhão de sacas no primeiro semestre, com um avanço de 1,3% em relação a 2024.
O segmento de café torrado e moído também tem crescido, com o volume de exportações aumentando em 46,1% entre abril de 2024 e março de 2025, na comparação com o mesmo período do ano anterior, embora represente uma pequena parcela do total exportado.
Esses números demonstram que, mesmo que o café verde (commodity) ainda domine a pauta de exportações, a venda de produtos processados e embalados é uma tendência consolidada e crescente, permitindo ao Brasil se posicionar de forma mais competitiva e lucrativa no mercado internacional.
A principal fonte dessas informações é o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), que divulga relatórios mensais e anuais que detalham o volume, a receita e o destino das exportações, segmentando o café por tipo (arábica, conilon, torrado e moído, solúvel e especial).
Principais importadores
Os principais importadores de café brasileiro processado, incluindo café solúvel, torrado e moído, e cafés especiais, são: Estados Unidos, que lideraram o ranking até o presente; Alemanha, um dos principais destinos, especialmente para os cafés de alta qualidade; Bélgica, que atua como importante polo de distribuição do café brasileiro na Europa; Itália, um dos mais tradicionais importadores do café do Brasil; e Japão, que tem mostrado um aumento notável no consumo de café brasileiro nos últimos anos.
