A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) amplia neste ano o projeto desenvolvido em parceria com a empresa AG Croppers para estimular o cultivo de plantas de cobertura em lavouras de café. Esse formato de cultivo vem sendo testado em cafezais em todo o Estado, especialmente nas regiões do Cerrado Mineiro e semi-árido, que sofrem mais com estiagens e temperaturas mais altas.
Segundo a Emater-MG, o plantio consorciado proporciona melhorias no solo, com impacto na produtividade dos cafezais. O projeto teve início em 2021 e, até o momento, implantou 600 unidades demonstrativas em Minas Gerais. Em 2023, o projeto passou a trabalhar a técnica também em áreas de fruticultura, horticultura e produção de grãos.
Essas unidades funcionam como um modelo de plantio para que os agricultores interessados conheçam o sistema. Cada unidade possui, em média, 1 mil metros quadrados.
Neste ano, a regional da Emater-MG em Uberaba, no Triângulo Mineiro, implantou sete unidades demonstrativas. A expectativa da instituição é implantar 150 unidades demonstrativas em todo o Estado até o fim de março.
“Estamos trabalhando com oito espécies de plantas, fazendo associações de duas ou mais plantas em cada unidade demonstrativa. Estamos usando espécies diferentes em cada região, para os produtores verem quais plantas trazem mais benefícios para a realidade de cada área”, afirma o coordenador técnico de culturas da Emater-MG em Alfenas, Kleso Silva Franco Júnior. Ele acrescenta que existem associações específicas para tratar erosões, para controle de ervas daninhas, para controle de nematoides, entre outros casos.
Franco cita o guandu, uma das plantas usadas para cobertura em cafezais para ajudar na descompactação de solos. “O guandu se associa com microrganismos do solo que ajudam na ficar o nitrogênio do ar”, acrescenta. As crotalárias também ajudam a fixar o nitrogênio no solo e reduz a multiplicação de nematoides.
“O trigo mourisco tem a capacidade de se associar a microrganismos solubilizadores de fósforo. Também atrai inimigos naturais de pragas, como o crisopídeo [que ajuda no controle do bicho mineiro do café]”, diz Franco. Já o milheto consegue buscar em camadas mais profundas o potássio e tem uma palhada que fica mais tempo sobre o solo sem se degradar, acrescenta.
O coordenador técnico observa que essa cobertura vegetal melhora a infiltração de água no solo, protegendo de erosões e reduzindo a temperatura da terra. “Nos dias em que a temperatura bateu 40ºC, no fim do ano passado, nas áreas sem cobertura a temperatura do solo chegou a 70ºC; com cobertura, atingiu 35ºC”, compara.
Na região de Uberaba, foram implantadas neste ano unidades demonstrativas em Araxá, Campos Altos, Ibiá, Perdizes, Pratinha, Sacramento e Tapira. As sementes usadas nas unidades foram obtidas por meio da parceria com a AG Croppers e foram repassadas aos produtores sem custos.
Uma das unidades demonstrativas fica na propriedade do cafeicultor Renato Domingos, em Campos Altos. A unidade tem 0,5 hectare. O produtor plantou trigo mourisco, crambe e crotalaria ochroleuca em consórcio com o café. Segundo Domingos, o uso de plantas de cobertura “aumenta a matéria orgânica, melhora a nutrição e sanidade do cafezal e é eficiente no combate a pragas e doenças”.
Fonte: Site Globo Rural | Data da publicação: 26/02/2024
