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Criação do CPA Citros fortalece controle do greening

Foi formalizada no dia 12 de janeiro a criação do Centro de Pesquisa Aplicada em Inovação e Sustentabilidade da Citricultura (CPA Citros), uma parceria estratégica entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ/USP) e o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus).

A iniciativa consolida a maior rede internacional de pesquisa já estruturada para o enfrentamento do greening (HLB), principal ameaça fitossanitária da citricultura, reunindo cerca de 75 pesquisadores, de 19 instituições e 36 departamentos, no Brasil e no exterior. O centro receberá investimento de R$ 90 milhões ao longo de cinco anos, com recursos do Fundecitrus e da Fapesp.

Pesquisa aplicada e transferência de tecnologia

O CPA Citros terá a missão de desenvolver soluções científicas e tecnológicas para os principais desafios da citricultura, com foco na interação entre planta, patógeno (bactérias do gênero Candidatus Liberibacter) e vetor (psilídeo Diaphorina citri), no aprimoramento das estratégias de manejo e na formação de novos especialistas.

O modelo em rede permitirá acelerar descobertas e ampliar a transferência de tecnologia ao produtor rural. Segundo o diretor-executivo do Fundecitrus, Juliano Ayres, o centro representa um marco para o setor. “É uma iniciativa grandiosa, que integra alguns dos principais pesquisadores do Brasil e do mundo para enfrentar, de forma estratégica e colaborativa, um problema que causa impactos severos à citricultura em diversos países”, afirmou.

Importância econômica e desafio fitossanitário

O Brasil é o maior produtor mundial de laranja e líder global na exportação de suco. No cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais, a última safra somou cerca de 230 milhões de caixas. Apesar da relevância econômica e social do setor, que emprega mais de 200 mil pessoas, o greening segue como o principal desafio sanitário da atividade, em especial porque é uma doença sem cura, extremamente agressiva, que precisa de controlada por meio de práticas integradas preconizadas pelo Fundecitrus.

Nas últimas cinco safras, a doença provocou perdas equivalentes a 102,26 milhões de caixas, e atualmente cerca de 47,6% das plantas dos pomares comerciais dessas regiões apresentam sintomas.

Rede internacional de excelência

Sediado na ESALQ/USP, o CPA Citros não terá sede física única. Integrará laboratórios e equipes no Brasil e no exterior. Além do Fundecitrus e das unidades da USP, participam instituições como Unicamp, Unesp, UFSCar, IAC, Embrapa e centros de pesquisa de seis países: França, Espanha, Estados Unidos, Austrália, Inglaterra e Portugal.

Para a diretora do CPA Citros, a pesquisadora Lilian Amorim, o centro nasce de uma demanda concreta dos citricultores paulistas. “É uma parceria voltada à solução de um problema da sociedade, com forte atuação em pesquisa, educação e transferência de tecnologia, garantindo que o conhecimento científico chegue rapidamente ao campo”, destacou.

Ela ressaltou que deverão ser contratados 28 profissionais, que atuarão em conjunto com servidores da Defesa Agropecuária no combate ao HLB/Greening, divididos em seis equipes, sendo dois engenheiros agrônomos, 24 inspetores de pragas e dois auxiliares administrativos.

O secretário-executivo da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Alberto Amorim, destacou que o CPA Citros dialoga diretamente com as políticas públicas já em curso no Estado: “É uma iniciativa fundamental porque rompe fronteiras e paradigmas, ao reunir pesquisadores e especialistas de diferentes áreas em uma verdadeira rede global de conhecimento. Esse modelo colaborativo fortalece não apenas o controle do greening, mas também a inovação, a transferência de tecnologia e a sustentabilidade dos pomares paulistas”.

(Foto: psilídeo Diaphorina citri – arquivo Fundecitrus)

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