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Agricultores familiares produtores de leite podem financiar transferência de embriões

O Plano Safra da Agricultura Familiar 2024/2025, anunciado no início de julho, incluiu a Estratégia Nacional para Desenvolvimento da Cadeia do Leite. Em 30 de agosto, foi publicada portaria instituindo a Estratégia de Desenvolvimento da Produção de Leite na Agricultura Familiar, assinada pelos ministérios do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), da Agricultura e Pecuária (MAPA) e do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). 

A estratégia visa aumentar a produtividade, a qualidade e a competitividade da produção de leite, além de promover a industrialização e o consumo do produto. A estratégia ainda prevê a formação de técnicos veterinários e o fortalecimento da sustentabilidade do setor, com a finalidade de aprimorar a qualidade do gado leiteiro e aumentar a produtividade das propriedades da agricultura familiar.

Dentre as ações previstas para melhoria genética do rebanho leiteiro, destaca-se a transferência de embriões. Trata-se de uma técnica avançada de reprodução assistida, realizada por laboratórios especializados em cinco etapas: 1) coleta de óvulos e fertilização fora do organismo da fêmea; 2) cultivo e desenvolvimento de embriões; 3) sincronização do ciclo reprodutivo da receptora; 4) transferência do embrião; 5) monitoramento e confirmação da prenhez.

Condições muito atraentes

Os recursos estão disponíveis por meio do Pronaf Mais Alimentos, conforme estabelecido pelo Manual de Crédito Rural (MCR). As condições de financiamento são bastante favoráveis para os pequenos produtores: juros de 3% ao ano, prazo de oito anos para pagamento, com três anos de carência.

Considerando que a maioria dos rebanhos dos pequenos produtores possui entre 15 e 30 fêmeas adultas aptas à recepção de embriões, o pacote completo de transferência até a confirmação de prenhez tem custo estimado entre R$ 600 e R$ 800 por animal. Dessa forma, o valor do financiamento necessário para cada produtor pode variar de R$ 10 mil a R$ 30 mil, aproximadamente.

Os financiamentos previstos ainda incluem alimentação animal, medicações, produtos de higiene de ordenha e de tanques, reforma e construção de instalações e formação e recuperação de pastagens, com taxas de 3% ao ano, e aquisição de máquinas e equipamentos de pequeno porte, incluindo tanques de resfriamento e ordenhadeiras mecânicas, com taxas de 2,5% ao ano.

Conheça, a seguir, como são as etapas da transferência de embriões.

Coleta de óvulos

O processo começa com a coleta de óvulos (também chamados de ócitos) de uma fêmea bovina doadora que tenha excelente potencial genético. A coleta é feita por aspiração, e os óvulos são fertilizados em laboratório com sêmen de um touro que também apresente características genéticas superiores.

A fertilização ocorre fora do corpo da fêmea (in vitro), em um ambiente controlado, o que resulta na formação de embriões de alta qualidade.

Desenvolvimento dos embriões

Após a fertilização, os embriões são cultivados em um laboratório especializado até atingirem o estágio ideal para a transferência para a fêmea. Esse estágio geralmente ocorre cerca de oito dias após a coleta dos óvulos.

Durante esse período, o laboratório monitora o desenvolvimento dos embriões para assegurar que estejam se desenvolvendo adequadamente.

Sincronização do ciclo reprodutivo da receptora

Para que a transferência do embrião seja bem-sucedida, é necessário que a fêmea bovina receptora, popularmente chamada de “barriga de aluguel”, esteja no mesmo estágio de desenvolvimento do embrião. Ou seja, ela deve estar em fase reprodutiva compatível com o embrião.

Para obter essa sincronização, são utilizados tratamentos hormonais que preparam o útero da receptora para a implantação do embrião. Esse processo é conhecido como Transferência de Embriões em Tempo Fixo (TETF).

Transferência do embrião

O embrião é transferido para o útero da receptora por meio de um cateter inserido na vagina e no colo do útero. Esse procedimento deve ser realizado por um médico veterinário especializado, que também avalia a saúde e as condições reprodutivas da receptora para garantir o sucesso da transferência.

Confirmação da prenhez

Após o procedimento, a receptora é monitorada para verificar se a transferência foi bem-sucedida. Isso é feito por meio de exames de ultrassonografia, realizados geralmente entre 30 e 40 dias após a transferência do embrião.

Regulamentação

No Brasil, o processo de Transferência de Embriões em bovinos é regulamentado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), que registra e licencia os laboratórios de fertilização in vitro e centros de coleta de embriões.  Todos devem seguir boas práticas de manejo e saúde animal, mantendo registros detalhados e realizando exames de saúde em todos os animais envolvidos.

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