A União Europeia (EU) anunciou, em fevereiro de 2025, medidas que significam um recuo nas metas originalmente fixadas no Green Deal (Acordo Verde), cujo objetivo é tornar a Europa neutra em carbono até 2020, reduzindo as emissões de gases do efeito estufa, e no movimento Farm do Fork (da Fazenda à Mesa, em tradução livre), que visa proteger os agricultores europeus da concorrência dos produtores de outros continentes.
A principais mudanças anunciadas incluem:
- Cancelamento da meta de redução do uso de pesticidas em 50% até 2030;
- Retirada do Regulamento de Uso Sustentável de Pesticidas, reduzindo a rigidez das regulamentações ambientais;
- Flexibilização das exigências ambientais para subsídios agrícolas;
- Fim da obrigatoriedade de rótulos ambientais nos alimentos, substituídos por selos de origem e bem-estar animal;
- Relaxamento das regras de uso de terras agrícolas, proporcionando maior flexibilidade nessa questão dentro da União Europeia;
- Critérios mais flexíveis para importação de produtos agropecuários, reduzindo as exigências ambientais e sanitárias, o que facilita a entrada de produtos de outros países no mercado europeu.
Essas medidas são uma resposta aos intensos protestos dos agricultores europeus e às pressões externas, como a política protecionista dos Estados Unidos sob o governo de Donald Trump. Os países europeus que mais se opuseram ao Green Deal foram a Polônia, que expressou preocupações quanto à viabilidade de alcançar a neutralidade climática até 2050, a Alemanha e a França, estes para proteger interesses comerciais.
Impactos no agro brasileiro
Essas mudanças têm implicações significativas para o agronegócio brasileiro:
- Menos barreiras comerciais – Com critérios mais flexíveis para importações, o Brasil pode enfrentar menos obstáculos para exportar produtos agropecuários para a UE.
- Maior competitividade – A redução das exigências ambientais pode tornar os produtos brasileiros mais competitivos no mercado europeu, especialmente soja e carnes.
- Adaptação gradual – Os produtores brasileiros terão mais tempo para se adaptar às novas exigências, sem a pressão imediata das normas mais rígidas do Green Deal.
- Valorização do agronegócio brasileiro – Com menos subsídios ambientais na UE, os agricultores europeus podem perder competitividade, o que pode levar ao aumento das importações de alimentos de países como o Brasil.
Essas mudanças, por outro lado, também têm gerado críticas de ambientalistas e políticos verdes, que veem o recuo como um risco para as metas climáticas e a sustentabilidade.
