MS: preços de fertilizantes sobem 39%

O preço de fertilizantes teve um aumento considerável em todo o País desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, que tornou o mercado instável. Em Mato Grosso do Sul, segundo a Associação dos Produtores de Soja do Estado (Aprosoja-MS), o aumento em relação ao segundo semestre de 2021 já chega a 39%.

O presidente da Aprosoja, André Dobashi, afirma que cerca de 20% do fertilizante usado em Mato Grosso do Sul vem da Rússia e muitos produtores rurais ainda não fecharam compra de fertilizantes para o cultivo da soja no dim do ano. Segundo ele, o motivo, além dos preços, é a escassez da oferta.

Em projeção de gastos com fertilizantes no plantio da safrinha de milho, neste primeiro semestre, a entidade calculou que o gasto no segundo semestre de 2021 equivalia a 32 sacas por hectare, enquanto no atual apartar de preço, sobe para 45 sacas. Desta forma, a estimativa é que o produtor consiga colher, em média, 78 sacas por hectare.

Neste cenário, o gasto com fertilizante consome mais da metade deda safra, o que, na avaliação da Aprosoja, inviabilizaria a produção em muitas propriedades de Mato Grosso do Sul. O ideal para os produtores de soja é ter o fertilizante na fazenda até agosto, sendo assim, o prazo-limite para fazer a encomenda é abril. No ano passado, o pico de entregas ocorreu até antes, em julho.

Cerca de 85% dos fertilizantes consumidos no Brasil são importados. No que se refere ao potássio a dependência é de 95%, sendo que praticamente metade disso é fornecida por Rússia e Belarus, país aliado a Vladimir Putin.

Um indicador da turbulência é o vai e vem da chamada lista de preços, que retrata valores de compras e vendas entre o produtor, de um lado, e um distribuidor ou mesmo importador, do outro.  Quando as empresas suspendem a lista, não há como comprar, seja à vista ou para encomendas, em prazos de até seis meses.

Nas últimas semanas, listas de preços consultadas por produtores pelo país afora oscilaram -foram suspensas, reapresentadas com valores considerados altíssimos, e voltam a ser suspensas, numa instabilidade constante que perturba quem planta.

“A cada movimento da guerra, as listas de preços vão e voltam, com os valores sempre altos, mesmo com o dólar caindo; o mercado está volátil”, afirma Décio Teixeira, presidente da Aprosoja-RS, que também planta trigo desde 1970.  “Como pode um país como o Brasil, potência no agronegócio, ter essa dependência internacional? Ficamos no oba-oba, deixando para fazer as coisas no futuro, e o futuro chegou ligeiro para nos cobrar.”

A lista de produtos cujo plantio depende de fertilizantes mais caros no segundo semestre inclui itens essenciais para as exportações do agronegócio, para a economia nacional e para o prato dos brasileiros: soja, arroz, feijão e parte do milho, matéria-prima também para a ração de frangos e suínos.

Fonte: Site Agrolink | Data da publicação: 18/03/2022

Deixe uma resposta