Geada restringe oferta e preço do arábica dispara

O mercado futuro de café arábica deu um salto de quase 7% ontem (20) na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), impulsionado pela passagem de uma massa de ar polar sobre as regiões produtoras no Brasil. Os cafeicultores, que nem terminaram de calcular as perdas provocadas pela geada do fim de junho, voltaram ao campo ontem para avaliar os estragos dessa segunda onda extrema de frio.

Fotos e vídeos de cafezais queimados pela geada circularam ontem no mercado. O contrato para setembro de 2021, em Nova York, chegou a subir 7,7% (1.205 pontos), batendo máxima de 168,5 centavos de dólar por libra-peso. Esse valor ficou muito próximo de 168,7 cents, máxima de 1º de julho, quando da passagem da primeira massa de ar polar.

O analista Marcelo Fraga analisa o movimento do mercado, clique aqui e assista.

“Só para se ter uma ideia, o mercado já está negociando, agora, a US$ 175,4 centavos por libra-peso. Basicamente, o mercado continua correndo atrás das informações sobre a geada. A quebra foi muito grande aqui na mogiana e na região do sul de Minas Gerais. Os produtores com os quais estamos em contato estão procurando levantar qual foi a quebra real deles”, relata Fraga.

“O pessoal está muito assustado porque tem previsão de geada, novamente, para o fim do mês. Ainda faltam 40% da safra do café arábica para colher. O mercado estava estimando uma safra de 25 milhões de sacas. Então, nós temos ao redor de 15 milhões de sacas já colhidas e ninguém sabe qual vai ser a quebra desse salda de 10 milhões de sacas. Tem gente estimando entre um a três milhões de sacas”, acrescenta.

O especialista explica que o problema climático levou o mercado a crêr que a safra de café será muito mais restrita do que se previa, provocando o aumento dos preços. A conjuntura, segundo ele, pode se estender até a próxima safra.

“A geada chegou a apertar muitas lavouras novas, com plantas de seis meses a um ano, um ano e meio. Realmente, perde-se essa planta e não se consegue produzir no ano que vem. Se cair chuva em agosto, pode ser que as plantas existentes consigam ter uma florada antecipada. E pode ser que essa florada não vingue para produzir frutos no ano que vem. O ideal, agora, seria que o clima permanecesse seco e só viesse chuva no final de setembro. Então, realmente, para o ano que vem o estrago já está feito: de uma produção estimada em 65 milhões de sacas para 55 a 60 milhões de sacas”, observa Fraga: “Deve haver um déficit mundial de café e o mercado tende a continuar aquecido”, afirma.

O analista conta que, no mercado interno, já se paga até R$ 1 mil por saca, “um número que não se imaginava” e diz que há “uma corrida muito grande de traders e cooperativas” pelo café disponível.

Fonte: Site Canal Rural | Data da publicação: 21/07/2021

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